domingo, 26 de junho de 2011

Empresário ou Empreendedor?

Existe certa confusão entre o que é ser empreendedor e o que é ser empresário – ou administrador – uma vez que o empreendedorismo está diretamente ligado a uma realização pessoal e profissional. Na verdade, lançar-se na carreira de empresário requer pouco do ser humano, talvez apenas um pouco de capital.

Estudiosos do comportamento humano afirmam que o indivíduo não vive no mundo que o cerca, mas sim numa representação deste próprio mundo, por ele criada a partir da percepção e do processamento daquilo que está à sua volta.

Dessa forma, pode-se dizer que o empreendedor não precisa fundar a sua própria empresa, ele pode participar do negócio de outras pessoas de uma forma proativa e, antes de tudo, deve se sentir realizado por proceder dessa maneira.

Para Peter Drucker, os empreendedores são pessoas que inovam. “A inovação é o instrumento específico dos empreendedores, o meio pelo qual eles exploram a mudança como uma oportunidade para um negócio ou serviço diferente”. Segundo ele, o empreendedor está sempre procurando a mudança, reage a ela e explora-a como sendo uma oportunidade. As características do empreendedor bem sucedido são:

• Comprometer-se.
• Atuar com qualidade.
• Procurar informações.
• Procurar oportunidades.
• Correr riscos calculados.
• Estabelecer metas objetivas.
• Persuadir e manter contactos.
• Ter confiança e independência.
• Planejar e treinar de forma sistemática.

Porém, somente as atitudes não constroem um empreendedor, pois o fogo do empreendedorismo aquece, mas é necessária a modéstia de aceitar carência de capacidades e experiência, independentemente dos recursos que se tem à mão. Existe grande diferença entre se ter o desejo de iniciar um negócio e possuir a competência para competir eficazmente. Esta perspectiva desejo versus capacidade empreendedora desdobra-se em dois rumos de ação distintos e enfatiza uma falsa dicotomia: a distinção entre capacidade empreendedora dentro e fora da empresa.

• O que torna uma pessoa empreendedora?
• Quais são os elementos essenciais da capacidade empreendedora?
• Quem são estes empreendedores com uma competência especial e um fogo empreendedor para dar partida num negócio ou a partir de uma idéia, e recebendo a liberdade, incentivo e recursos da empresa onde trabalha, dedica-se entusiasticamente em transformá-la em negócio de sucesso?
• Como os reconhecemos?
• Existem empreendedores em quantidade limitada?
• Empreendedores nascem ou são formados?

Muitas pessoas se preparam a vida toda e não conseguem realizar nada, outras se julgam despreparadas e também nunca realizam. Isso para não falar daqueles que morrem de vontade de um dia terem seu próprio negócio. Por outro lado, existem aqueles que se lançam de modo aventureiro – sem nenhuma preparação – a um empreendimento de risco.

Tudo isso quer dizer que o julgamento do grau de preparação é subjetiva e individual. Ele requer uma reflexão do indivíduo com maturidade e consciência, para uma decisão sensata. Às vezes o grau de preparação é pequeno, mas a pessoa avalia bem e vê que os riscos também são pequenos e, em função disso, decide partir para a ação. Outras vezes, embora havendo uma preparação elevada, o indivíduo, embora sendo sensato e corajoso, sente que ainda não é chegada a hora – e deve seguir a sua intuição.

Sendo assim, nosso conselho é que você reflita bem, pense, converse, analise os fatos, ouça suas vozes interiores. Você tem potencial para decidir qual é a hora certa.

I Bootcamp de Empreendedorismo Social | 32 universitários formados como Empreendedores Sociais

Decorreu em Cascais o I Bootcamp de Empreendedorismo Social, que formou 32 estudantes universitários, de diferentes áreas de formação e diversas idades, com espírito empreendedor, para desenvolverem novos projectos inovadores e sustentáveis, com impacto social.

O programa intensivo teve lugar no Guincho, em Cascais, no fim-de-semana de 10 a 12 de Junho e o seu principal objectivo foi dar aos futuros empreendedores ferramentas e modelos para a criação de um negócio social, consciencializando-os para os grandes desafios e oportunidades do empreendedor social e da sociedade portuguesa.

Após uma partilha de ideias e motivações que os levam a querer lidar com os problemas negligenciados e predominantes na sociedade, os 32 participantes formaram 8 equipas para trabalhar em soluções viáveis e inovadoras para resolver um desses problemas que mais os preocupam.

Tendo sido desenvolvido pela primeira vez pela Escola de Negócios INSEAD (top 5 no mundo), agora com o apoio da Câmara Municipal de Cascais e da Fundação EDP, esta formação visou potenciar soluções que resolvem pela raiz problemas sociais e ambientais de forma inovadora, partilhada e sustentável.

Ao longo do I Bootccamp, os participantes tiveram oportunidade de contactar com iniciativas de empreendedorismo social que são já práticas de sucesso: Vitamimos - Centro de educação alimentar infantil – que forneceu algumas das refeições, a Escola de Judo de Nuno Delgado e a Escolinha de Rugby da Galiza com sessões de energia e fortalecimento de equipas nas manhãs. Em conjunto com outros pequenos workshops de yoga do riso e de personalização de t-shirts, foram essenciais para tornar o programa equilibrado em muito do trabalho analítico, desenvolvimento pessoal e superação de limites.

No final, as iniciativas foram apresentadas a um painel de investidores sociais composto pela Câmara Municipal de Cascais, Fundação EDP e RedWorks. Este painel, depois de escutar as apresentações finais de 1 minuto cada e respostas às suas perguntas, escolheu os três melhores projectos que vão receber capacitação e apoio à implementação durante três meses pelo IES.

Equipa Vencedora: Medicci
Com base numa plataforma online e encontros presenciais, pretendem promover a criação de projectos de empreendedorismo juntando universitários de diferentes áreas de saber em equipas multidisciplinares.

Equipa Finalista: Geração única
Este projecto é uma réplica do projecto Aconchego, já com sucesso comprovado no Porto, que melhora a qualidade de vida de pessoas idosas, ao mesmo tempo, que integra jovens que vêm estudar do interior do país a um baixo custo.

Equipa Finalista: Sinergias
O objectivo é criar uma plataforma de partilha dos muitos recursos sub-aproveitados e conhecimento entre organizações da sociedade civil, permitindo assim a sua maximização e eficiência. Este processo vai ainda fomentar a cultura de partilha no sector social.

O segundo Bootcamp já tem data marcada para 16 a 18 de Setembro de 2011, e destina-se a pessoas de qualquer idade e sector, com vontade de se tornarem Empreendedores Sociais.

O outro programa dentro da parceria IES-INSEAD é o ISEP Portugal e tem como objectivo fortalecer a confiança, competências e efeito de rede de projectos sociais já implementados, abordando temas como sustentabilidade, crescimento e liderança. Destina-se a empreendedores e gestores de iniciativas com missão social de qualquer sector. Vai realizar-se de 17 a 21 de Outubro em Cascais.

terça-feira, 14 de junho de 2011

Muitos angolanos têm negócio próprio

Pelo menos dois milhões e 300 mil cidadãos angolanos, com idades compreendidas entre 18 e 64 anos, possuem um negócio novo, mas a maioria está voltada para o comércio, revela um relatório baseado num estudo sobre empreendedorismo, denominado “Global Entrepreneurship Monitor (GEM) Angola”, apresentado ontem em Luanda.
Segundo o relatório, que se refere a 2010, a Taxa de Actividade Empreendedora (TEA) em Angola é elevada, porque há muita gente envolvida em negócios, mas muitos desses são de “necessidade”.
De acordo com as análises do estudo, muitos negócios têm vida efémera, pois desaparecem devido à ausência de resultados positivos e também por falta de financiamento. O relatório menciona que a TEA registada no ano passado, em Angola, foi de 31,9 por cento, o que significa que aproximadamente 32 angolanos em cada 100 são novos empreendedores. Esta cifra é a quinta mais elevada entre os 59 países e territórios estudados pelo Projecto GEM em 2010.
O relatório refere ainda que o resultado obtido por Angola, sendo alto, pode ser enquadrado mais convenientemente no contexto específico de economias orientadas por factores de produção. Por outro lado, realça que o valor médio da TEA nestas economias é de 22,7 por cento, o que coloca Angola consideravelmente acima da média dos países em desenvolvimento.
Comparativamente ao valor médio da TEA nas economias orientadas para a eficiência e para a inovação, a diferença é, respectivamente, de 11,7 por cento e 5,6 por cento, o que deixa transparecer ainda mais a magnitude do valor registado em Angola.
O GEM estima que o aumento na actividade empreendedora tenha relação com os constrangimentos económicos e financeiros que afectaram o país em 2009 e 2010, influenciados pela descida do preço do petróleo e pela crise internacional.
“Esta conjuntura limitou a disponibilidade de investimentos do Governo e das empresas privadas, tendo contribuído para a diminuição da criação de emprego dependente. Assim, uma parte considerável da população activa viu-se na obrigação de procurar as fontes alternativas de rendimento, optando pela criação do seu negócio”, cita o relatório do GEM.
A elaboração e apresentação do relatório coube à Universidade Católica de Angola, Banco de Fomento Angola (BFA) e Sociedade Portuguesa de Inovação (SPI).
O projecto GEM resulta de uma iniciativa conjunta do Babson College (EUA) e da London Business School (Reino Unido), e a primeira edição deste estudo ocorreu em 1999, tendo contado com a participação de 10 países.
Em 2005, as duas entidades transferiram o capital intelectual do GEM para a Global Entrepreneurship Research Association (GERA), uma organização sem fins lucrativos gerida por representantes nacionais, das duas instituições fundadoras e de instituições patrocinadoras da iniciativa.
Em 2010, o GEM contou com a participação de 59 países, incluindo Angola, pela segunda vez.

Afinal de contas: o que é um Intra-empreendedor?

O intra-empreendedor é aquele que está em constante observação em seu local de trabalho e nunca está satisfeito porque sempre acha que é possível encontrar uma maneira melhor de fazer as coisas acontecerem.

O intra-empreendedor é aquele que está em constante observação em seu local de trabalho e nunca está satisfeito porque sempre acha que é possível encontrar uma maneira melhor de fazer as coisas acontecerem. É através dele que as melhorias ocorrem, os custos baixam e a qualidade melhora. O desafio está em fazer aumentar o número de colaboradores com este tipo de preocupação.

Podemos dizer que este colaborador que sempre está buscando alternativas de melhorias é de fato um empreendedor. De acordo com SCHUMPETER* - "O empreendedor é a pessoa que destrói a ordem econômica existente graças à introdução no mercado de novos produtos/serviços, pela criação de novas formas de gestão ou pela exploração de novos recursos materiais e tecnologias."

Para que esta cultura intra - empreendedora exista se faz necessário levar em
consideração algumas variáveis fundamentais a começar pelo ambiente de trabalho do colaborador. Então, se uma empresa gosta de levar os negócios com "mão de ferro", dificilmente alcançará tal objetivo, pois se os colaboradores sentem-se pressionados e/ou inibidos por causa desta cultura inflexível, todos os esforços vão por água abaixo.

O intra-empreendedorismo em uma empresa permite que surjam várias inovações de produtos/serviços capazes de manter sua competitividade no mercado. Esta cultura deve estar enraizada nos corações da alta gerencia como também nos de seus colaboradores uma vez que só é possível cultivar uma cultura intra- empreendedora quando todos possuem seus objetivos pessoais e profissionais
alinhados com a estratégia do negócio. Espera-se que a força de trabalho exercida na linha de produção não seja apenas a de executar, mas sim de também visualizar melhorias e implantar de forma consciente e eficiente suas idéias.


*Joseph Alois Schumpeter - foi um dos mais importantes economistas da primeira metade do século XX.

Universidade e Associação Comercial premeiam empreendedorismo e inovação portuense

A Universidade do Porto e a Associação Comercial do Porto estão a premiar projectos na universidade em dois concursos distintos que pretendem distinguir a start-up ou a spin-off da U.Porto com mais potencial internacional e o melhor projecto de investigação desenvolvido em cooperação com empresas portuguesas.

Com candidaturas abertas até 29 de Julho, o "ACP- Technology Export" e o "ACP – Applied Research", dois prémios distintos mas que visam recompensar o empreendedorismo, a inovação e a ligação à indústria na Universidade do Porto.

O "ACP – Technology Export" pretende premiar a start-up ou a spin-off ligada à U.Porto com maior potencial para entrar no mercado internacional, enquanto o "ACP – Applied Research" vai atribuir o prémio a um investigador ou centro de investigação da U.Porto que esteja a desenvolver um projecto em parceria com o tecido empresarial português.

Estes dois concursos surgem no âmbito de uma parceria, entre a ACP e a U.Porto, que, para além destes prémios, criou também condições especiais de adesão à Associação Comercial do Porto, aos mais de dois mil docentes e investigadores da U.Porto bem como aos responsáveis por novas empresas de base tecnológica criadas no UPTEC, refere uma nota da universidade.

domingo, 5 de junho de 2011

‘Noites do Conhecimento’: Segredo do sucesso é acreditar

“O grande valor do empreendedorismo está em provar que, quando se tem um sonho com verdadeira relevância, tudo é possível e a maior parte das vezes o segredo do sucesso está apenas no acreditar que a sua concretização é possível”. Esta foi uma das mensagens deixadas por Elisabete Sampaio de Sá, investigadora da Escola de Economia e Gestão da Universidade do Minho, em mais uma sessão das ‘Noites do Conhecimento’ promovidas pela Associação Comercial de Braga (ACB).

Convidada a falar sobre o tema ‘Empreendedorismo e inovação: condições para criar ou relançar o seu negócio’, Elisabete Sá realçou que “não há receitas para o sucesso de uma start up ou para o relançamento de um negócio por via da inovação”, mas “existem algumas condições que devem ser ponderadas antes de um processo deste tipo”.

A primeira dessas condições é a paixão, “aquela força que permite enfrentar as muitas dificuldades que estão inerentes ao processo empreendedor”, referiu, lembrando que “empreender envolve assumir riscos e aceitar a possibilidade de insucesso como um sub-produto da acção empreendedora”.

Realçou também que “um projecto empreendedor só terá suc esso se for capaz de propor valor relevante aos clientes”, daí a importância de estudar e conhecer o cliente .
Elisabete Sá destacou que “cada novo negócio ou novo produto precisa de uma estrutura ‘cola’ que junta todas as peças necessárias para que uma ideia se transforme numa oportunidade. A primeira e mais importante de todas as peças do puzzle é o cliente”.

“A avaliação que o cliente irá fazer da oferta do empreendedor vai depender também das referências de que dispõe para comprar aquilo que recebe e os custos em que incorre. Essas alternativas são os produtos e serviços concorrentes dos quais o empreendedor deve estar ciente e dos quais se terá que distinguir para merecer a preferência do cliente”, acrescentou.

A “coopetição” é também importante no empreendedorismo. este termo significa “cooperar com os concorrentes, mas também com todos os players do sector, tirando partido das complementaridades e das parcerias ganha-ganha que podem ser exploradas”.
Outro dos principais capitais do empreendedor é o networking, que Elisabete Sá classifica como “a sua maior alavanca”.
A próxima ‘Noite do Conhecimento’ é a 16 de Junho.

Vice-ministro da Juventude Angolano fala em crescimento do empreendedorismo

Luanda - O vice-ministro angolano da Juventude e Desportos, Yaba Pedro Alberto, considerou em Luanda que é crescente o empreendedorismo e a criação dos jovens angolanos. O vice-ministro Yaba Alberto lembrou os triunfos em alguns concursos internacionais por parte de jovens angolanos.

Yaba Alberto falava à Angop a propósito da realização da II Mostra de Jovens Criadores da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), a realizar-se de 9 a 12 de Junho na capital angolana, sob égide do Ministério da Juventude e Desportos (Minjud) em parceria com a Feira Internacional de Luanda (FIL).

O Estado angolano está comprometido a apoiar a juventude angolana nos diversos domínios da vida social e caso equivalente, segundo Yaba Alberto, revê-se no programa habitacional em que o Minjund procura obter junto do Executivo uma percentagem de residências destinadas aos mesmos.

"Há jovens angolanos que já ganharam prémio na Alemanha por fazer o invento de algo útil para a tecnologia e ciência", disse reflectindo sobre o modo actual do empreendedorismo juvenil angolano, acrescentado ainda que o Executivo deve dar o apoio necessário para que os criadores continuem na mesma senda.

Ainda de acordo com o vice-ministro, o Minjund vai continuar a promover a construção de novos bairros da juventude, com 100 casas em cada província e com outra qualidade, por forma a minimizar os problemas desse estrato social. O governante disse ainda que vai continuar a apostar no estímulo empreendedor através do crédito-jovens.