quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Portal Consultor Autárquico é relançado em 2011



Vítor Oliveira é um empreendedor que desde muito jovem começou a desenvolver os seus projectos empresariais. A verdade é que nem sempre obteve os resultados inicialmente esperados, mas o entusiasmo e a capacidade de adaptação fazem com que este empresário não desista.

Vitor Manuel dos Santos Oliveira, 45 anos é actualmente o Director Geral da Ginfoplan, uma empresa de consultoria informática, especializada em soluções integradas de sistemas de informação.
Com apenas sete anos de idade vendia aos vizinhos rifas para poder ganhar o seu próprio dinheiro. “As pessoas achavam graça e compravam as rifas. Paguei sempre os prémios, mas ainda assim, metade do resultado da venda era para mim” diz-nos a sorrir quando recorda esse episódio da sua vida.
Aos catorze anos comercializava artigos usados da família e dos vizinhos na feira da Vandoma. “Não queria pedir dinheiro aos meus pais, gostava de ser autónomo. Aos dezoito fui para o Alentejo trabalhar na apanha da Fruta”.
Mas nem sempre as coisas funcionam como Vitor Oliveira idealiza e projecta. Exemplo disso é o Portal do Consultor Autárquico.
“Já há algum tempo vinha a pensar como criar um negócio em que ganhasse algum dinheiro mas que ao mesmo tempo não necessitasse de trabalhar muito. Isto para quem está habituado a trabalhar muito para ganhar pouco, podem querer, seria um grande feito.”
O amadurecimento desta ideia levou-o a decidir criar um portal (as tecnologias de informação era uma área em que detinha bastante conhecimento e experiência) com toda a informação legal, classificada e pesquisável para os Presidentes de Junta de Freguesia. Conhecia bastante bem a realidade e as dificuldades das Juntas de Freguesia uma vez que o seu pai exerceu durante alguns anos essa função.
A percepção de que era uma boa ideia ficou mais reforçada, quando, num período de auscultação de vários Presidentes de Junta, obteve respostas muito positivas e grande incentivo a que o fizesse.
Agora era necessário passar da ideia para a prática e era altura de construir um modelo de negócio suporte ao projecto.
Tendo como ideia base auxiliar o autarca na consulta das leis, o portal deveria ir mais além e servir também como auxiliar à gestão da autarquia.
Com estes dois objectivos principais ficaram definidas as seguintes componentes para o portal:
• Legislação – área com o arquivo de toda a legislação pertinente à gestão de uma autarquia. Nesta área o autarca poderia pesquisar através de um classificador ou por pesquisa livre toda a legislação, acórdãos e pareceres.
• Consultório técnico – área reservada à colocação de questões legais ou de gestão com pareceres jurídicos não vinculativos dados pelos nossos assessores.
• Fornecedores de interesse – Lista de fornecedores classificada por tipos de fornecimento.
• Hiperligações de interesse – Lista exaustiva de sites de consulta frequente pelas autarquias.
• Histórias de sucesso – área com a explicação de actividades com sucesso implementadas por juntas de freguesia. Os artigos teriam de ser no formato “estudo de caso” e não só de notícias.
Com a estrutura do portal definida era necessário começar a operacionalizar o projecto (criar o Portal e actualizar os dados). Vítor Oliveira decidiu que o portal devia ser desenvolvido por uma empresa especialista desta área, embora na sua própria empresa dispusesse de know how para o fazer.
A manutenção dos conteúdos e a obtenção da informação legislativa foi assegurada por um administrativo tendo sido realizado também um acordo com dois juristas para a disponibilização de aconselhamento jurídico.
O negócio subjacente ao portal seria a disponibilização de conteúdos pagos. O portal foi desenhado para ter duas áreas: a área pública e a área privada. A área privada permitiria ao autarca a colocação de questões e a consulta de legislação mais recente. Todo o restante conteúdo era de consulta pública. O acesso a área privada estava assente numa subscrição que teria um custo de 300 Euros anual.
O lançamento do Portal foi realizado através de uma conferência de imprensa em que a apresentação do produto foi realizada pelo presidente da Junta de Freguesia de Santa Cristina do Couto, Jorge Gomes, tendo sido esta Instituição o primeiro subscritor (cliente) do Portal.
O sucesso no lançamento foi grande tendo mesmo alcançado uma cobertura nacional através de diferentes órgãos de Comunicação Social.
A partir deste momento estava na hora de trabalhar o mercado para a angariação de novas subscrições. Aí começaram as dificuldades. As Juntas de Freguesia contactadas, embora demonstrassem sempre receptividade à ideia, por um ou outro motivo iam adiando a decisão.
Nesta altura Vítor Oliveira tomou consciência que para obter os resultados que pretendia inicialmente teria que se envolver directamente no projecto, situação que além de não estar prevista inicialmente, também não era compatível com as responsabilidades profissionais da altura.
O desenvolvimento do projecto com vista à realização dos objectivos comerciais previstos, ou seja um retorno financeiro de 30.000 euros ano, era necessário introduzir alguns ajustes ou alterar mesmo todo o conceito de negócio.
Vitor Oliveira identificava dois caminhos distintos:
• Continuar com o modelo de negócio (subscrição e publicidade de banner) e assim seria necessário contratar um vendedor com conhecimento pessoal do mercado; Reformular a imagem e funcionalidade do portal, tornando-o mais apelativo na consulta das leis e o reforço da componente notícia que, não sendo um dos objectivos principais do portal, poderia ser um componente potenciador de acessos. Este caminho continha pelo menos dois pontos frágeis: encontrar a pessoa ideal para vendedor e o aumento do investimento na reformulação do portal.

• Reformular o próprio modelo de negócio, deixando de ter uma base de conteúdos pagos, onde a receita era resultado única e exclusivamente de publicidade no Portal. Esta alternativa obrigava à alteração do portal, tornando-o mais colaborativo com a actualização dos conteúdos a cargo dos próprios utilizadores (com monitorização da Ginfoplan).
“Neste impasse comercial, decidi que era melhor deixar ficar o projecto como estava, ficando no entanto a serem actualizados os conteúdos sobre a legislação, fornecedores de interesse e artigos técnicos sobre o Pocal. Ficou igualmente em funcionamento a newsletter com cerca de 50 subscritores, a maioria inscrito nos primeiros dias de lançamento do portal.”

Planos para o Futuro
Terá Vitor Oliveira desistido do Portal - Consultor Autárquico? “Um portal de auxílio à gestão autárquica continua a ser uma boa ideia, a necessidade de concentração de informação relevante, conjugado com a melhoria dos processos de pesquisa será crucial para o futuro na utilização da internet. “
A reformulação do Portal foi realizada com recurso a um aluno da Escola Profissional do Centro Juvenil de Campanhã que como projecto da Prova de aptidão Profissional apresentou o novo “Consultor Autárquico” agora tendo como público-alvo os funcionários das diferentes Juntas de Freguesia do nosso país.
O relançamento do Portal está previsto para Janeiro de 2011.
“ É com convicção que julgo ser ainda possível recuperar o “Consultor Autárquico” e a médio prazo vir a ter algum retorno financeiro com ele”, finaliza este Empreendedor.

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