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domingo, 8 de julho de 2012

“Os modelos colaborativos são os modelos dos nossos Tempos"

O Canal 180 é o primeiro canal nacional sobre cultura e criatividade que agrega uma grande diversidade de conteúdos, da música ao documentário, passando pela arte urbana, através de uma rede internacional de colaborações. Entrevista a João Vasconcelos.

VE – O que é o Canal 180º e como funciona?
O Canal180 é um projecto media especializado na criação e distribuição de conteúdos criativos e culturais em todas as plataformas digitais. Reduzimos ao essencial tudo o que é necessário para fazer televisão. Desenhamos uma operação técnica que nos permite gerir sistemas complexos de gestão e emissão de conteúdos de forma eficiente e de baixa manutenção. Focamo-nos na qualidade da equipa editorial para produzir os conteúdos base da programação (actualidade cultural e  música) e através desse ponto de diferenciação estamos a construir a credibilidade e competitividade para desenvolver parcerias com alguns dos melhores criadores e instituições nacionais e internacionais.

VE - Como Surgiu a ideia de criar um canal colaborativo dedicado a cultura?
A ideia de criar um canal dedicado à cultura é pouco original, acho que todas as pessoas sentiam que fazia sentido. A parte de criar um canal colaborativo foi a forma de o tornar viável.

VE – Foi com a ideia do canal 180º que venceu o prémio  nacional de industrias criativas de 2010. Em que medida esse prémio foi importante para passar da ideia à prática?
O prémio foi importante para criar uma primeira rede de contactos institucionais e a credibilidade necessária para ir para o terreno começar a chatear pessoas.
VE – Arrancaram com um novo projecto, numa área em que não tinham qualquer experiência. Como foi encarar este desafio? 

O desafio foi exactamente tentar não fazer mais do mesmo, procurar novas abordagens e novas formas de produzir conteúdos, é isso que nos motiva, apesar de ser muitas vezes extenuante. Temos uma visão sobre a transformação dos media e acreditamos que a nossa principal vantagem é esta liberdade para experimentar.
VE – Quais eram os vossos principais objectivos quando lançaram o Projecto?

Dar visibilidade a uma cultura emergente que será cada vez mais importante no contexto da produção cultural e da expressão individual.

VE – Passado um ano de emissão, qual é o balanço do trabalho realizado?
Estamos só a começar. A evolução foi mais lenta do que gostaríamos porque no contexto em que arrancamos não podíamos investir na promoção do canal nem em ancoras de programação que facilitariam a divulgação. Mas a persistência fez com que sobrevivêssemos a um ano extremamente difícil. A maior parte das pessoas só este ano vai começar a ouvir falar e a ver o 180.

VE – Afirmou que o Canal 180º  É um canal “colaborativo, permeável e horizontal”. É a rede colaborativa a base do vosso modelo de negócio?
Queremos trazer também para a televisão um modelo que tem funcionado bem em muitos negócios. Os modelos colaborativos são o modelo dos nossos tempos, porque permitem maior sustentabilidade de inovação. Para além disso, no negócio dos conteúdos permitem a formação das redes de produção que são hoje essenciais para o processo de distribuição, tanto para atingir a massa critica inicial necessária, como na importância da selecção, filtragem ou curadoria (plataformas como o Kickstarter ou Behance são excelentes exemplos disto)

A maior parte dos conteúdos que nos interessam, os mais originais e inovadores que se produzem um pouco por todo o mundo, são exactamente aqueles que apesar da qualidade têm dificuldade em encontrar canais comerciais para circular. A nossa função é encontrá-los, dar-lhes uma visibilidade e um contexto que aumenta o interesse por eles. Felizmente temos conseguido a colaboração de criadores de culto como Mike Mills ou Vincent moon.
Em relação ao modelo de financiamento actual, assenta sobretudo na produção de conteúdos para parceiros institucionais e marcas.

VE – O canal 180º alargou o seu período de emissão e também viu reforçada a sua distribuição em novos operadores. Podemos dizer que estão em contra ciclo com a situação económica que o pais vive actualmente?
Como estamos a começar, só podemos crescer. O crescimento noutro contexto poderia ser mais rápido. Mas este ano prevemos duplicar a facturação do ano passado. Embora a publicidade tradicional seja muito afectada, no mundo digital por exemplo, a produção de conteúdos está a crescer e deverá continuar. Pelas competências e qualidade da nossa estrutura editorial somos muito competitivos na produção de conteúdos.

VE – Não sendo a cultura um sector base da economia, acreditam que a conjuntura económica actual pode condicionar o aparecimento de projectos inovadores como o caso do canal 180?

Nunca houve em Portugal um canal de televisão nacional dedicado à cultura e criatividade, por isso não terá apenas a ver com a conjuntura. Existem períodos de disrupção e estou convencido que vivemos um momento desses muito importante no que toca a criação artística.
VE – Que conselho daria aos empreendedores que desejam desenvolver um projecto neste momento?

Diria que a vontade de fazer é muito mais determinante do que saber tudo à partida.

“Pretendo que cada peça seja única de acordo com a possibilidade de cada Cliente"

"Lembro-me de ser pequeno e andar com a tesoura na mão no meio dos tecidos, na alfaiataria do meu avô”, afirma Manuel Teles com um sorriso nos lábios resultante de uma memória de infância.

Neto de Alfaiate e filho de Alfaiate, tem no sangue esta arte que em Portugal remonta ao século XII. Desde criança acompanhou o negócio do pai e viu ao longo do tempo a transformação das pequenas alfaiatarias em empresas de produção em serie.

Desde sempre trabalhou no negócio de família, tendo desempenhado funções nas diferentes áreas desde a produção até à gestão. “Sempre gostei mesmo foi da área criativa e da área comercial” conta-nos Manuel Teles. Assim há dois anos deixou a empresa da família para criar a sua própria marca modernizando o conceito de alfaiataria.

O desafio era portanto, para este Engenheiro têxtil, responder às exigências do mercado moderno conjugando os ganhos de eficiência de uma produção em serie com a costumização e personalização da alfaiataria.

A Manuel Tayloring é, depois de dois anos de trabalho intenso, a resposta a este desafio. É na sua sede no centro do Porto que este Alfaiate Empreendedor oferece aos seus clientes um serviço de Personal Tailor & Fashion Consultant , distinto, discreto e realizado através de marcação.

Aqui o cliente pode escolher o desenho, corte e os tecidos sempre da melhor qualidade e deixar a o resto do processo nas mãos de Manuel Teles. “Consigo personalizar tudo, desde os botões, forros, camisas e até mesmo luvas.  Pretendo que cada peça seja única e de acordo com a possibilidade de cada Cliente”, afirma o empresário.

Desengane-se quem pensa que este é um serviço apenas para alguns, “o preço de um fato feito por medida pode ir de 350€ até quatro dígitos” diz-nos Manuel Teles, tudo depende do grau de personalização. Uma coisa é certa, o nível de serviço é sempre o mesmo.

Os clientes não precisam vir até Manuel Teles, ele é que se desloca para a recolha das encomendas, tirar medidas e fazer as provas. Este é também um fator diferenciador do serviço prestado.

Conta já com atliers em Lisboa, Madrid e dentro de pouco tempo em Paris. A crise não é assunto que preocupe este empreendedor, que afirma existir procura e necessidade para o serviço que presta. A comprovar esta procura está o aumento de 37% do seu volume de Negócios no último ano.

Acredita que a base de qualquer projecto é ter paixão pelo que se faz e trabalhar arduamente para o conseguir. Na sua opinião a base de qualquer estratégia para ultrapassar o momento que se atravessa actualmente é a inovação e a capacidade de colocação no mercado. “Em meu entender a muito curto prazo existirão somente dois segmentos ( low-cost e hight-cost) .

Nos dois segmentos o factor Inovação ligado à qualidade do produto são factores que lhe garantem uma posição distinta.” No futuro próximo espera poder expandir-se para São Paulo e Milão.

domingo, 6 de novembro de 2011

”Temos produtos de todo o país e damos preferência a produtores mais pequenos"

Normalmente só valorizamos o que temos quando o perdemos. Foi isto que aconteceu com Adriano Ribeiro, piloto de aviões que por algum tempo viveu fora do país. Nessa altura sentiu falta de alguns produtos tipicamente portugueses.
Esta necessidade e a consciência que alguns produtos tradicionais de outros países tinham um mercado atractivo deram substancia a uma ideia que já há algum tempo andava a germinar na cabeça de Adriano – Criar uma gama de produtos típicos de qualidade com uma imagem moderna e apelativa. Nasce assim a José Gourmet em meados de 2008.

O arranque desta aventura aconteceu com um produto de Azeitão porque havia um amigo produtor. A mais recente aposta desta empresa foi nas conservas portuguesas. ARTE foi o nome escolhido para a colecção de latas de conservas de formato tradicional mas com uma imagem contemporânea.
O ilustrador Gémeo Luís, que desde o início tem colaborado com Adriano Ribeiro no desenvolvimento da imagem dos produtos, desafiou 11 colegas a reinventar a imagem das latas de conserva. Ao designer residente associaram-se André Letria, Marta Madureira, Cristina Valadas, Teresa Lima, Madalena Matoso. Juntos decoram as «velhinhas» latas de conserva transformando-as em produtos do século XXI.

Mas a este projecto juntou-se também o Chef Luis Baena que preparou receitas, para adultos e crianças, que acompanham as conservas, revelando métodos de utilização das sardinhas, lulas, atum em conserva. «O Chefe Luís Baena tem conhecimentos alargados sobre este sector», comenta Pedro, filho de Adriano e que é actualmente o responsável pela empresa, uma vez que Adriano mantém a sua profissão de aviador.

Mas esta reinvenção dos produtos nacionais, não se limita aos queijos ou às conservas. Também as garrafas de azeite, vinagres e licores são empilháveis. Com o fundo oco, encaixam umas sobre as outras através dos gargalos. «Acho que é importante mostrar que com alguma inovação é possível fazer coisas diferentes como que é português», reflecte Pedro Ribeiro.

A actividade da empresa concentra-se única e exclusivamente ao desenvolvimento da embalagem e imagem dos produtos e a comercialização dos mesmos. O sucesso deste negócio está em primeiro lugar na qualidade dos produtos e na relação estabelecida com os diferentes produtores. «Temos produtos de todo o país e damos preferência a produtores mais pequenos», diz Pedro Ribeiro. «Por exemplo nos vinhos trabalhamos com produtores com baixa produção, que têm dez a 20 mil garrafas por ano. Assim temos um produto quase exclusivo», acrescenta o empresário.

Esta é uma parceira vantajosa para ambos, pois garante qualidade e exclusividade à marca, maspermite também que os produtores consigam colocar os seus produtos em novos mercados onde de outra forma não seria possível.

A estreita relação entre a JoséGourmet e os seus fornecedores/parceiros também se dá ao nível do desenvolvimento de novos produtos permitindo também aos próprios fornecedores a utilização deste know-how nas suas marcas próprias.

Os produtos JoséGourmet estão presentes em mercearias finas de todo o país, onde a qualidade e originalidade é um factor distintivo. “Preocupamo-nos em ter o melhor. Mesmo que as margens de lucro ainda sejam pequenas. Seguimos a política do fair trade [comércio justo].” Afirma Adriano Ribeiro.

O mercado preferencial é mesmo o mercado externo onde está a saudade do que é português e também o maior poder de compra. .Neste momento já estão na República Checa e no Luxemburgo. Sob a designação “Take way Portugal” são exportados queijos, azeites, vinagres, vinhos, licores, conservas, compotas e outros. “Queremos dentro da marca Take away Portugal criar take away açores, take away douro. Enfim para aplicar a marca às diferentes regiões e dentro dela incluir todos os produtos de cada região» afirma Pedro.

Três questões a Adriano Ribeiro

VE - Que projectos tem a joseGourmet para o futuro? Dentro da JoseGourmet estamos a desenvolver novos produtos e alargar a rede de vendas. Começamos a exportar este ano e já estamos presentes em 8 países. Vamos internacionalizar ainda mais. Vender até à exaustão e ter uma trading de produtos de Portugal é o nosso objetivo. Vender em hotéis de uma forma inovadora desenvolvendo conceitos de venda integrados.

Fora da JoseGourmet vamos participar em novos projetos no desenvolvimento de novos negócios na área do merchandising e design e de Portugal aproveitando as enormes oportunidades de termos um DNA próprio à 500 anos. Em breve vamos participar num novo negócio original de grande potencial. À semelhança do que fizemos com as conservas pretendemos desenvolver estratégias blue ocean para outros setores de atividade. Sabonetes, lápis, cortiça, mobiliário, joalharia são exemplos de áreas onde poderemos estar no futuro como consultores e promotores.

VE - De que forma a situação de crise profunda que vivemos actualmente no nosso pais de atinge o vosso projecto e os vossos planos para o futuro?
Mantemos a crise fora do pensamento. Estamos a triplicar vendas e com crescimento exponencial. Estamos no sítio certo à hora certa. Comprar Portugal, qualidade, produtos artesanais, comercio justo, generosidade, design, inovação, não vivermos de subsídios nem os procurar, são conceitos nossos desde sempre e agora valorizados. O mundo não vai voltar à idade da pedra. Vemos oportunidade de reinventar e criar valor em muitos negócios. É nisso que concentramos a nossa energia.

VE - Que conselhos daria aos que agora são obrigados a empreender para poder ultrapassar esta situação que vivemos?
Empreender é stressante e gratificante. Muitos empreendedores 'forçados' vão ser muito felizes no futuro. Viajar, ganhar mundo, observar, estudar, trabalhar muito, envolver novas pessoas (ganhar escala) são algumas das coisas que praticamos, recomendamos aos nossos filhos e poderíamos recomendar a todos...

sábado, 8 de outubro de 2011

"Gostava que em Portugal se comprasse apenas o que é Português" Afirma António Silva CEO da Nonius


Em 2004 os fundadores da Nonius concorreram ao Concurso de Ideias da Agência de Inovação com o Projecto WirelessGEST, tendo sido seleccionado como uma das 30 melhores ideias de negócio. Após 9 meses a preparar o arranque, a Nonius inicia a sua actividade.

VE - A Nonius é uma empresa focada nas tecnologias de Internet. Pode explicar-nos exactamente em que consiste a vossa actuação?
AS - Em 2005 a Nonius começou por oferecer soluções de Acesso à Internet para quatro mercados: hotelaria, condomínios residenciais, centros empresariais e hotspots públicos. Rapidamente verificamos que o mercado hoteleiro era aquele onde iriamos ter maior sucesso. Três anos depois, a Nonius tornou-se o maior fornecedor de tecnologia para a gestão de acesso à Internet para clientes no mercado hoteleiro nacional. Com o volume de negócios a crescer entre 50 a 70% ao ano, no início de 2008,começou o processo de internacionalização. Com o processo de internacionalização, houve o reposicionamento da Nonius para fabricante de produtos e software.
O nosso forte conhecimento das necessidades do mercado hoteleiro e a nossa capacidade de desenvolver soluções tecnológicas de elevada qualidade, resultou na criação de novos produtos e serviços. No fim de 2009, a Nonius apresentou ao mercado uma solução de entretenimento e multimédia para os quartos, usando tecnologias Internet e IPTV. Este novo produto, tem funcionalidades que permitem oferecer aos hóspedes uma experiência única de televisão interactiva. O NiVo combina funcionalidades de TV e radio, Video-on-Demand, acesso à Internet, jogos, compra e personalização de serviços, e tudo acessível através de um comando e de um teclado wireless.

VE - Com carreiras profissionais de sucesso a nível internacional, o que os levou a optar pela criação de um projecto próprio? Em que medida foi essa experiência importante?
AS- Em 2004, mais do que a ideia de um projecto, surgiu a ideia de criar uma empresa. Começámos por discutir vários planos de negócio e resolvemos explorar as tecnologias de gestão de acesso à internet para diversos mercados: mercado hoteleiro, mercado residencial, mercado de espaços públicos. Surgiu a oportunidade de submeter essa ideia a um concurso de ideias, promovido pela Agência de Inovação, que permitiu a sua validação.
Fomos seleccionados como uma das melhores ideias do concurso e ganhámos um prémio, que teve o efeito dinamizador necessário para arrancar com o negócio.
Durante um ano, estivemos a trabalhar no plano de negócios, e em Abril de 2005 a Nonius arrancou. Nessa altura, eu estava a trabalhar no Reino Unido pelo que regressei para me dedicar ao projecto a tempo inteiro, pois só assim acreditava que seria possível ter sucesso.

VE - No caso da Nonius entre a apresentação da ideia e o arranque da empresa passaram-se 9 meses. Em que medida foi importante este período de preparação do projecto?
AS - A formação dos 3 promotores era técnica, não havendo experiencia em gestão e arranque de empresa. Nos tínhamos muita experiencia no desenvolvimento de produtos e na gestão de equipas técnicas.
Durante esse período, houve a maturação da ideia, a elaboração do plano de negócios e a minha formação em Empreendedorismo e Gestão de Empresas, que foi fundamental para a consolidação da ideia de negócio e o arranque da Nonius.

VE - A elaboração de um Plano de Desenvolvimento e Expansão marcou o período de crescimento da empresa, em que medida influenciou a obtenção de financiamento por parte de investidores externos?
AS - Desde o seu início, a Nonius teve sempre capitais de risco como investidores. Logo ao fim de 3 meses de actividade, houve o investimento de uma empresa de capital de risco.
A Nonius financia a sua actividade em capitais próprios. O crescimento constante do volume de negócios tem obrigado a aumentos de capital e investimentos de modo a sustentar esse crescimento.
A meio de 2007, foi fundamental o investimento da PME Investimentos e o reforço por parte dos accionistas da altura, de modo a permitir investimentos em internacionalização e sustentar o crescimento do volume de negócios esperado para os anos seguintes.
Posso já adiantar que desde o início do ano, estamos a negociar com novos investidores e já asseguramos o investimento de uma entidade de capital de risco de referência nacional que nos irá permitir continuar a crescer durante os próximos anos. Contamos durante o mês de Setembro, finalizar o processo contratual.

VE - Em termos geográficos qual é a distribuição da vossa carteira de clientes?
AS - Em Portugal as nossas tecnologias estão em mais de 300 clientes entre hotéis, hospitais, centros empresariais, centros comerciais, navios-hotel, escolas, distribuídos por todo o país.
A Nonius tem focado a sua internacionalização nos países lusófonos e Espanha. Também temos clientes noutros países europeus e africanos tais como Itália, Holanda, Grécia, Turquia, Nigéria e Quénia.

VE - Qual a representatividade da Nonius no mercado actualmente?
AS - Em Portugal, a Nonius assume-se como líder no fornecimento de tecnologias de software para a gestão do acesso à Internet, no mercado hoteleiro. Estamos agora a marcar a nossa presença no que diz respeito ao NiVo, a solução de IPTV.
Internacionalmente, as soluções da Nonius encontram-se instaladas em mais de 25.000 quartos entre países como Portugal, Espanha, Itália, Holanda, Grécia, Turquia, Brasil, Angola, Cabo Verde, Moçambique, Nigéria e Quénia.

VE - Quando de fala em desenvolvimento tecnológico fala-se de inovação. De que forma a Nonius promove e fomenta a inovação na sua intervenção com os seus clientes?
AS - Desde o arranque que nos focamos no cliente, ouvindo as suas necessidades e os seus problemas e trabalhando com eles para arranjar soluções tecnológicas com vista à redução de custos operacionais e incremento das suas receitas.
Temos verificado que os nossos clientes têm uma ânsia muito grande pela inovação, lançando-nos desafios constantes. Para nós, tem bastado responder aos desafios dos nossos clientes para lançar produtos e tecnologias inovadoras.
Internamente, promovemos a evolução e mudança constantes de processos e métodos de trabalho, com vista a reduzir as actividades recorrentes e básicas que podem ser automatizadas de modo a que a equipa se possa focar em tarefas de valor acrescentado aumentando a produtividade.

VE - Actuando a Nonius num sector altamente competitivo (TI’s), em que os grandes player’s são internacionais, o que diferencia a empresa face a concorrência?
AS - A Nonius tem o cuidado de desenvolver os seus produtos com base nas necessidades e problemas reais dos clientes, de preferência com o cliente como parceiro de desenvolvimento.
Os produtos da Nonius são altamente personalizáveis e adaptáveis às necessidades de cada cliente.
A nível técnico, os produtos da Nonius já têm um conjunto de funcionalidades superiores aos seus concorrentes no mercado, sem descurar a sua estabilidade.

VE - Na área da prestação de serviços, os colaboradores são a vantagem competitiva da Empresa. Como encara a Nonius o desenvolvimento e formação profissional dos seus colaboradores?
AS - A Nonius é uma empresa que aposta em colaboradores jovens altamente qualificados, de referir que mais de 90% são licenciados e mestres. Apostamos em pessoas inteligentes com elevada margem de progressão.
Fomentamos a ida das pessoas a conferências, feiras e acções de formação pontuais e especificas de acordo com as necessidades da empresa e dos nossos clientes.
Dado que a área de actuação dentro das TI’s é muito específica e especializada, apostamos em muita formação interna com sessões de treino tais como “pizza lunch”, que são sessões de duas horas, durante a hora de almoço, na qual num ambiente informal, um colaborador apresenta/forma os outros das tecnologias e progressos que fez no seu trabalho.


VE - A Nonius dispõe de algum processo de gestão/retenção de talentos?
AS - Temos um processo de avaliação anual que resulta na atribuição de prémios de desempenho e ajustes das remunerações. Esse processo foca-se em indicadores de avaliação de desempenho tais como produtividade e qualidade, iniciativa, desempenho e integração na equipa.
Neste momento estamos a trabalhar num plano de atribuição de acções da empresa a trabalhadores como um plano de incentivo a médio / longo prazo.



VE - Em 2007 a Nonius iniciou o seu processo de Internacionalização, tendo sido o ano de 2008 um ano de aprendizagem e de adaptação. Que alertas daria às empresas que iniciam agora essa aventura?
AS - Primeiro temos que saber em que áreas queremos internacionalizar, pois dependendo das áreas onde se quer internacionalizar as dificuldades são diferentes. Focámos inicialmente a nossa internacionalização na Europa, e deparámo-nos com um grande problema, que é o facto de Portugal ser um país periférico geograficamente. O facto de estarmos na extremidade da Europa causa algumas dificuldades, ao nível de viagens e transportes: sentimos que não estamos tão perto do Centro da Europa como desejaríamos. Com Espanha já é diferente, ou seja, já é mais fácil internacionalizar. Depois, há uma grande dificuldade em determinados países, devido ao proteccionismo aos produtos nacionais e à resistência a ofertas de produtos importados. Alemanha, França e Espanha reflectem bem este proteccionismo. Em França, abandonámos completamente o esforço de introdução dos nossos produtos. Em Espanha, percebemos que eles preferem comercializar através de distribuidores e integradores locais e aí conseguimos ultrapassar aquela dificuldade. No caso da Alemanha, a entrada neste mercado é feita através de um processo de licenciamento, ou seja, a tecnologia é comprada pelo cliente final como sendo Tecnologia Alemã. Temos portanto duas perspectivas diferentes.
Gostava que Portugal tivesse a mesma atitude que os franceses, de comprar apenas o que é português. Em Portugal a dificuldade é inversa, o que é português não é bom produto. Foi uma dificuldade que a Nonius teve de enfrentar: combater a desconfiança acerca do produto português, provar que a tecnologia portuguesa tem qualidade. É complicado criar uma empresa de tecnologia em Portugal, porque os portugueses acham que o que vem de fora é melhor, e quando chegamos a França ou à Alemanha temos igualmente dificuldades porque eles acham que a tecnologia deles é a melhor.
Em 2008, internacionalizámos na Europa, e a partir do início de 2009, começámos a olhar para outros países fora da Europa, onde o processo de internacionalização é mais fácil, como é o caso dos países lusófonos, Angola, Moçambique, Cabo Verde e agora, mais recentemente, o Brasil. Comercialmente estamos a ter resultados mais interessantes e muito mais rápidos, porque não temos as dificuldades do mercado não reconhecer a nossa tecnologia como sendo de alta qualidade.


VE - Qual é a importância do Mercado Externo na composição da carteira empresa?
AS - Em termos de volume de negócios representam entre 15 e 20%. No ano passado foram 12% e há dois anos consideravelmente menos.

VE - As novas tecnologias é uma área extremamente atractiva para os jovens. Que conselho daria aos jovens que quisessem empreender nessa área?
AS - Os conselhos que dou é que o projecto seja algo em que realmente acreditem, que se dediquem a 100%, que se foquem no cliente e que a grande meta seja vender o produto e/ou o serviço, pois só com vendas um projecto empresarial poderá ter sucesso.

VE - A Nonius foi considerada como PME excelência em 2010, o que significa esta distinção para a vossa empresa e para a estratégia que traçada?
AS - Significa o reconhecimento de todo o trabalho e esforço que todos os colaboradores dedicam à Nonius, ao longo destes anos, para que esta atinja os melhores resultados possíveis.
É também uma honra pertencer a este grupo restrito de empresas que se evidenciam pelos melhores desempenhos e indicadores de gestão.


VE - Que desafios a Nonuis tem pela frente nos próximos tempos?
AS - nosso principal objectivo é que entre 2013/2014, 70% das receitas sejam provenientes da actividade internacional. Estamos a caminhar bem, apesar da recessão económica em Portugal, as nossas exportações estão a aumentar a um ritmo interessante.

domingo, 5 de junho de 2011

"Ter uma Quinta, mexer na terra e produzir produtos hortícolas"


José e Alzira Monteiro tinham uma vida estabilizada – Uma casa própria, um pequeno negócio e um filho adolescente. Mas faltava algo… O concretizar de um sonho e por isso largaram tudo!
José e Alzira Monteiro são ambos naturais de Matosinhos e mesmo depois do casamento ficaram a viver neste concelho até aos 39 anos de idade. Nesta altura José tinha um pequeno armazém de produtos alimentares e tinha como objectivo que o seu filho, na altura com 18 anos, continuasse o seu negócio quando fosse apropriado. A recusa deste desafio por parte de Alexandre, filho de José, veio seguido de um outro “Porque não segues o teu sonho?” Foram estas as palavras estiveram na origem do que é hoje a Quinta da Magantinha.
“Ter uma quinta, mexer na terra e produzir produtos hortícolas” era uma vontade já antiga conforme afirma José, agora era um objectivo para esta família.
No jornal encontraram anúncios de três quintas, uma em Lousada, uma em Tondela e uma outra no Fundão. Optaram pela de Lousada por uma questão de proximidade. Escolheram a Magantinha , onde não havia nada, venderam tudo o que tinham e deram inicio a realização de um sonho.
Vir para Lousada significou uma mudança radical no estilo de vida a que estavam habituados. “Quando chegamos aqui só existiam as paredes exteriores da casa e silvados. Na quinta as únicas árvores de frutos que existam eram duas nogueiras. Tudo o que hoje existe foi construído por nós”.
Para poupar dinheiro foi desde inicio decido viver na quinta e por esta razão a família viveu três anos numa tenda de campismo de verão e de inverno.
“Como estava tudo muito degradado foi preciso muitas obras até a casa estar em condições de habitar. Foi uma altura muito difícil, pois estávamos habituados a ter todas as condições tais como casa de banho no quarto. Aqui não tínhamos água, chegamos a ter que tomar banho de regador. Foi uma altura difícil”afirmam.
As expectativas eram explorar a quinta em termos agrícolas, dedicadas especificamente a fruticultura e a viticultura. O Projecto foi estruturado principalmente com base na plantação de pequenos frutos (Amora, framboesa e groselha) e vinicultura. A primeira plantação rentável que tivemos foi 1 hectare de Framboesa.
Hoje é com orgulho que olham para tudo o que conseguiram construir, primeiro a casa e depois a quinta. Valeu a pena? Ainda não possuem uma resposta definitiva para esta questão pois apesar de terem vendido duas casas que possuíam foi também necessário recorrer ao crédito bancário do qual ainda existem compromissos muito elevados. No entanto há de certeza um ganho incalculável – Qualidade de Vida. Quando por alguma razão tem que voltar a Matosinhos, só pensam em voltar “Tanto eu como a minha família sentimo-nos bem aqui em Lousada, na “nossa terra” afirma José.
Hoje apostam fundamentalmente na vinha, embora a quinta conte com meio hectare de kiwi, meio hectare de framboesa e um pomar com varias qualidades de fruta.
A qualidade da fruta que produzem e o gosto pela cozinha sobretudo pelas sobremesas de Alzira levou à produção de compotas, geleias, marmeladas, bolos e outras sobremesas com a marca Magantinha. “Estamos nesta actividade há 15 anos, mas se não tivéssemos começado a transformar a nossa fruta, em compotas, geleias e marmelada, já tínhamos abandonado este sector” afirma José.
Actualmente toda a fruta produzida nesta quinta é transformada (através de processos artesanais) como destino ao sector gourmet. Podemos encontrar os produtos Magantinha na região do Vale do Sousa, principalmente em lojas de produtos regionais e nas Cooperativas agrícolas da região. A quinta está incluída nas Rotas Gourmet , uma iniciativa da Câmara Municipal que pretende dar a conhecer ao grande público a gastronomia do concelho, bem como, o património local, potenciando a divulgação dos produtos produzidos.
A Magantinha é também uma das quintas que fornece produtos para o Cabaz Prove. Estes são cabazes recheados de produtos hortícolas e frutícolas da região. Este projecto que visa estimular a produção tradicional e de qualidade ao mesmo tempo que promove as relações de compromisso, solidariedade e ética entre quem produz e quem consome. Para além da certeza de comprar fresco e viçoso, os clientes do Prove estão também estar sujeitos ao elemento "surpresa" pois os cabazes não são iguais de semana para semana uma vez que a elaboração dos mesmos está sujeita à época do ano e à oferta que cada produtor tem para a semana em causa.
Quando questionado sobre como é ser agricultor em Portugal, José afirma sem rodeios “É muito difícil ser agricultor neste país, não se dá o devido valor aos agricultores, mas acho que é a profissão mais nobre do mundo. É importante que se pague o justo valor a produção”
O profundo amor a agricultura é o que leva estes empresários a saltarem da cama todos os dias pelas 6 da manhã e darem inicio a mais um dia de trabalho duro, dedicado ás colheitas, podas, tratamentos e produção de compotas, contando sempre com a ajuda do filho.
No que se refere ao futuro este será sempre na agricultura mas em actividades de transformação dos seus produtos (fruta e produção de vinho) e posteriormente desenvolverem um projecto de turismo agrícola.
Para os empreendedores que pretendam entrar neste sector, deixam-nos a seguinte mensagem “Lutem para atingirem o objectivo pretendido. Mas principalmente ingressem nesta actividade se realmente gostarem, caso contrário será muito mais difícil de vencerem.”

sábado, 30 de abril de 2011

Maestro Luís Cipriano “Em Portugal por vezes premeia-se a mediania ou até a mediocridade”

O Projecto Zéthoven é um projecto cultural que tem como objectivo o crescer da criança como ser humano através de uma parceria com as artes. Assim a partir dos três anos de idade as crianças mantêm contacto regular com a música, com a dança, com o teatro, enfim, com uma série de actividades que lhes permite o desenvolvimento motor e intelectual.

VE-Segundo afirmou, o Projecto Zethoven foi sem duvida o maior projecto da Associação Cultural da Beira Interior. Como surgiu esta ideia?
LC-Surgiu pela necessidade de se modificar a abordagem musical que se fazia às crianças. No projecto Zéthoven inicia-se sempre pela prática que para além de mais motivador para as crianças aproveita as capacidades inatas que estas idades possuem. Por outro lado, é sempre mais fácil explicar a teoria musical quando na prática e de forma natural essas actividades já foram executadas pelas mesmas. O próprio nome junta Zé, o rapaz do dia a dia, com o final do nome do grande compositor que foi Beethoven. Foi também uma estratégia como se de um casamento do plebeu com o aristocrata, isto na perspectiva da sabedoria musical.

VE-Este projecto tem como principal objectivo aproximar a crianças da música clássica e desta forma potenciar o desenvolvimento das crianças. Acha que a musica pode promover o desenvolvimento de um espírito empreendedor?
LC-A música, como há muito se sabe, desenvolve capacidades intelectuais de forma continuada que traz proveitos para o futuro na abordagem de qualquer situação. Quando o estudo musical promove a abertura de espírito, fá-lo não só para raciocínios musicais mas para todo o tipo de raciocínio que na verdade serão úteis para qualquer indivíduo seja ela qual for a sua profissão. A música estimula o ir mais além e esta postura é fundamental para a sociedade moderna.

VE-Em que medida a ACBI e projectos como o Zethoven funcionam como motores do desenvolvimento do Interior do Pais?
O ACBI têm desde sempre promovido a descentralização cultural no interior, seja através de concertos seja através do ensinamento musical às crianças. Em muitas aldeias fomos nós a fazer o primeiro concerto que há memória. São concertos comentados para que as pessoas entendam o que ouvem e vêm pois ninguém nasce ensinado. Posso dizer que temos sempre os concertos repletos de pessoas que no final perguntam quando é próximo. Falo de gente que vêm directamente das suas quintas e hortas para o concerto, mas a sensibilidade não se mede pela actividade quotidiana de cada um mas sim pela sua disponibilidade para a evolução. No que respeita às crianças do projecto Zéthoven, mais de 4 000 já trabalharam com uma Orquestra Sinfónica. Quantos o fizeram em Lisboa ou no Porto? O Interior é por vezes onde um homem ou uma mulher quiserem.

VE-Muito se fala da importância do trabalho em equipa numa orquestra. Qual a importância desta aprendizagem no âmbito do projecto Zethoven?
LC-No Projecto Zéthoven inicia-se sempre a aprendizagem musical com classes de conjunto, sejam os Grupos de Percussão seja o Coro. O trabalho em equipa é fundamental para se obterem resultados a nível individual. Repare, que na maioria das cursos superiores, nunca existe uma cadeira que promova o trabalho em equipa, sendo antes uma selva em que cada um pensa em si. No entanto quando chegam ao mercado de trabalho são obrigados a trabalhar uns com os outros, o que não deixa de ser uma contradição, e que por vezes provoca maus resultados ou períodos longos de adaptação. Uma criança que na escola responda um disparate a uma pergunta do professor provoca de imediato a risada geral e até do próprio. Num ensaio, uma criança que se engane e comprometa o trabalho do grupo, fica envergonhada e tenta rapidamente fazer bem. È a diferença à qual aqueles que idealizam o sistema educativo português nunca estiveram atentos.

VE-Pela sua dimensão internacional, este projecto dá também a estas crianças a oportunidade de entrar em contacto com novas culturas e desafios. Pode-se dizer que este projecto além da vertente cultural prepara também os alunos para os desafios de uma economia global?
LC-A globalização é uma realidade e qualquer projecto realista terá de assim o entender. Dou-lhe o exemplo do Coro Misto da Beira Interior, também um projecto da ACBI e que é o destino das crianças com melhores resultados. É o Coro em Portugal com mais medalhas conquistadas em Concursos internacionais. Tivemos o concurso Robert Schumann na Alemanha. Devido a dificuldades económicas tivemos de ir de autocarro e durante a viagem eu próprio, com um fogão de campismo, fiz para todas seis refeições de salsicha o equivalente a três dias de viagem mantendo o ritual no regresso. Resultado? Uma medalha de Prata. Isto é o que fica para a história, ou seja os resultados. A palavra impossível aqui dentro não entra. Mesmo com armas diferentes temos de competir e eu não nasci para participar nas festas dos outros… prefiram que eles venham à minha.

VE-Quantas Crianças já passaram pelo Zethoven e que avaliação fazem desta experiência?
LC-Num cálculo por aproximação, hoje, mais de 40 000 crianças já estiveram em contacto com o projecto, seja de forma continuada, seja de forma pontual, não havendo nenhum distrito do País que não tenha usufruído do projecto. Como disse atrás, um projecto cultural que se mantêm neste país durante onze anos tem de no mínimo ser sólido. Sei de antemão que nem todas as crianças vão ser músicos mas fico satisfeito por poderem ser bons ouvintes e essenciamente seres humanos melhor formados. Anseio mesmo que alguns possam ser políticos pois aí teria a garantiam que decerto seriam mais cultos do que a maioria daqueles que há anos fingem possuir esse atributo. Vivemos num país que para se ser Vereador da Cultura é preciso muita coisa menos ser-se culto. Estas crianças terão decerto uma palavra a dizer numa possibilidade de mudança de atitude.

VE-Este projecto destaca-se ainda pela rede criada entre diferentes entidades desde autarquias, escolas, governos civis e a própria ACBI. Pode-se falar também de um exemplo de empreendedorismo em rede?
LC-Sim, mas a rede demorou a solidificar-se pois antes foi necessário mudar mentalidades. Repare que no interior, cada Presidente de Câmara é uma espécie de “reizinho” feudal que quer bem demarcadas as fronteiras das suas terras. Se um tem uma piscina com ondas, o do lado constrói também uma e se possível com ondas maiores mesmo que as duas possam distanciar-se por meia dúzia de quilómetros. No Projecto Zéthoven as crianças interagem entre si e são escolhidas para os concertos em função da sua produtividade e nunca da sua origem. Por isso foi preciso explicar e fazer entender que o objectivo é o produto final e que este está acima de qualquer regionalismo ou perspectiva eleitoralista. Todos juntos ainda somos poucos e remar na mesma direcção traz sempre mais possibilidades de chegarmos ao destino. Só trabalhamos com autarquias que percebam este modo de actuar até porque no Projecto Zéthoven não há milagres, há trabalho e produto final.

VE-Actualmente muito se fala de potenciar o empreendedorismo como meio de ultrapassar esta crise económica que vivemos actualmente. Na sua opinião que medidas poderiam ser tomadas para se desenvolver esta capacidade desde a infância?
LC-A criança por natureza é empreendedora mas tem o azar de ter uma sociedade habituada ao emprego e não ao trabalho, e uma sociedade que tem mais imaginação para se desculpar do insucesso do que propriamente fomentar o sucesso. No Projecto Zéthoven por exemplo, existem metas a cumprir, mas a idade da criança nunca é uma forma de travão, antes pelo contrário, fomentamos a sua evolução e a sua capacidade de iniciativa. Se por exemplo uma criança de 12 anos, por capacidades inatas e por atitude assinalável, consegue realizar o mesmo trabalho de uma de 15 anos, é de imediato colocada no grupo desta última faixa etária, aproveitando e desenvolvendo tudo aquilo que ela poderá dar e de novo trazer. Em Portugal por vezes premeie-se o medianismo ou até a mediocridade. Nós premiamos a competência e o ir mais além.

VE-É verdade que a participação numa Orquestra potencia o rigor, a exigência e a competição entre os seus membros, garantindo no entanto um bom resultado enquanto equipa?
LC-Numa Orquestra basta um dos músicos ter um mau dia em cima do palco para de imediato passar a ser uma ma dia para toda a Orquestra, pois o resultado que apresenta, apesar de poder ser afectado por um só individuo, reside no somatório das capacidades de todos. A competição neste caso é extremamente salutar e resulta nos bons resultados de todos, pois quanto mais elevado foi o nível do individual mais pode potenciar os resultados do colectivo. Numa Orquestra como numa empresa, o bom desempenho individual resulta num excelente colectivo que trás benefícios a esse mesmo colectivo mas que de imediato se reflecte também no individual. Quando se contrata uma Orquestra beneficia-se salarialmente os seus músicos. Se não é contratada também o individual não usufrui dessa desejável situação económica. Ninguém contrata uma Orquestra aos bocados mas sim pelo seu todo.

sábado, 26 de fevereiro de 2011

"O potencial Criativo Humano tem inicio na Infancia", afirma Alberto Oliveira


O Mikado, o Jogo da Glória ou o Sabichão são jogos que fazem parte da memória de várias gerações. Estes produtos marcaram a história da Majora, uma empresa familiar que nasceu em 1939. “O consumidor português habituou-se ao longo dos anos a encontrar nos nossos artigos um nível elevado de design associado ao binómio qualidade/preço”, refere o administrador da empresa, Alberto Oliveira, à “Vida Económica”. O responsável pela empresa de brinquedos salienta que “o potencial criativo humano tem início na infância”.


VE - A Majora nasce numa altura muito difícil na história da humanidade – A segunda guerra mundial. A concretização de um sonho numa altura marcante. Pode-se dizer que era um projecto empreendedor à data?
AO - A Majora é uma empresa ligada à família há três gerações. Foi em 1939 que o meu pai com um verdadeiro sentido de gestão, amante do trabalho, decide desenvolver um projecto próprio. Era num período de grande convulsão política e social e com parcos recursos financeiros. O nome Majora reporta-se ao nome do meu pai : Mário José de Oliveira. A estrutura familiar actual – eu, o meu irmão António e os seus dois filhos, a Paula e o Pedro.

VE - Os brinquedos potenciam a imaginação das crianças ao longo da sua infância. Podemos assim dizer que são um estímulo ao espírito empreendedor?
AO - O potencial criativo humano tem início na infância. Quando as crianças têm iniciativas criativas e sendo incentivadas são propensas a agir de forma inovadora. Através dos nossos produtos podemos incentivar, as crianças, a desenvolver novos padrões cognitivos. A possibilidade de criar está ligada aos contextos familiar, escolar e às experiências vivenciais p/ criança.
Todos sabemos que a inovação quando cria aumento de competitividade pode ser considerada como um factor fundamental no crescimento económico de uma sociedade.

VE - Com mais de 70 anos de existência e 300 produtos concebidos em diferentes materiais, a Majora está presente na memória de varias gerações. Qual foi o produto, ou produtos mais emblemático e que por isso marcam a historia da Empresa?
AO - Foram sobretudo três:
MIKADO – é um jogo de origem chinesa que põe à prova a paciência e a habilidade e destreza dos jogadores.
JOGO DA GLÓRIA – tradicional jogo de percurso. A sorte ou o azar ora faz avançar ou recuar até que o primeiro jogador chegue à casa GLORIA.
SABICHÃO – jogo de perguntas e respostas de vários temas em que o boneco Sabichão dá a resposta exacta.

VE - Tratando-se de produtos cujo objectivo é fomentar a criatividade e espírito crítico das crianças, o processo de desenvolvimento de novos produtos assume-se como fundamental para o sucesso da empresa. Como se desenrola este processo na Majora?
AO - A Majora está atenta ao desenvolvimento da criança desde a etapa sensorial dos bebés, da “idade do faz de conta”, das competências auditivas e linguísticas nas várias fases da infância. Pretendemos estimulá-la de acordo com a idade para que, no futuro pensem de forma criativa, ganhem auto-estima e sejam autodidactas.
Para nós o lançamento de novos produtos é sempre um projecto entusiasmante. Conseguir chegar às nossas crianças é uma tarefa complexa . Determinar qual o seu potencial. Precisamos de uma análise de previsão muito atenta já que implica um tomar de decisões importantes no investimento de capital. Temos uma equipa multifuncional para desenvolver os nossos produtos que fazem acontecer resultados fantásticos liderados pelo Pedro e pela Paula.

VE - Sabemos que grande parte dos brinquedos disponíveis no mercado português é fabricada na China. Como sentiu a Majora a concorrência dos países orientais?
AO - A não consciência da mudança das transformações da ordem politica e económica mundial que vem acontecendo teria consequências funestas. A crescente concorrência internacional tem obrigado a cortar custos para obter preços mais baixos e a procura de preços de produção menores.

VE - Como reagiu a Majora ao aparecimento das novas formas de entretenimento para as crianças, nomeadamente os jogos electrónicos?
AO - Se é certo que o jogo electrónico ganhou presença indiscutível no nosso quotidiano, não é menos verdade que o jogo tradicional ludico-didáctico ou somente de diversão permanecerá nos hábitos das pessoas pela nobreza dos materiais de que são feitos, pela imaginação e fantasia que transportam e naturalmente por um vector estratégico que o diferencia - o preço. Um dos objectivos da Majora é tornar os jogos acessíveis a todos através de produtos para todas as bolsas. O consumidor português habituou-se ao longo dos anos a encontrar nos nossos artigos um nível elevado de design associado ao binómio qualidade- preço.

VE - A Majora lançou recentemente também jogos para pessoas de mais idade. Porque este segmento de mercado?
AO - O nosso projecto sénior destina-se a um nicho de mercado com o objectivo de estimular as competências cognitivas das pessoas idosas. Estimulam a memória, a atenção, a concentração, a rapidez psico-motora e a compreensão verbal. São os títulos SÓ GESTOS, CUBOS LÓGICOS, QUEM SABE,SABE.
Acreditamos que ajudam a manter a actividade mental procurando que socializem e disputem a vitória com os mais novos, com os netos.

VE - Actualmente a actividade da Majora não se dedica exclusivamente a produção e venda de jogos e brinquedos. Pode-nos falar do processo de diversificação da empresa?
AO - Não faria sentido estarmos de braços cruzados. Temos de ter a capacidade para diversificar e perceber que há outras oportunidades. A MAJORA definiu na sua estratégia tornar-se uma empresa para a criança, como tal explorando todos os segmentos de mercado que o nosso Know How nos permita. Criamos marcas próprias para o público infanto-juvenil através de licenciamento de marcas (Noddy, Ruca, Ben 10, Winx, Hello Kitty) a Animated Drinks e a Mon Petit Cadeau. A primeira, através da marca Yammi dedica-se ao desenvolvimento, produção e distribuição de bebidas e produtos alimentares enquanto a Mon Petit Cadeau está mais vocacionada para produtos de higiene.

VE -Conscientes da importância da história da Majora para o desenvolvimento do Mercado dos brinquedos em Portugal, criaram o “Museu do Brinquedo”. Qual tem sido o feedback dos mais jovens a este museu?
AO - O meu irmão António sempre teve o espírito de coleccionador. Tem sido com muita dedicação e paciência que já há uns anos guardou e organizou os jogos que fazem parte da nossa memória colectiva. Assim, ali vemos relatadas as diversas etapas da evolução do jogo, a saudade e a admiração pelo que se fez. Os benefícios didácticos, educacionais e culturais são evidentes despertando o instinto de curiosidade pelo passado.

VE - Que projectos e produtos tem a Majora em carteira para os próximos tempos? AO - Projectos há muito mas brevemente vamos lançar 5 jogos para crianças com dificuldades de aprendizagem em colaboração com o Centro de Apoio ao Desenvolvimento Infantil – Cadin, a colecção EVOLUI. Esta colecção junta o carácter lúdico com o objectivo terapêutico.
No seu ADN a empresa tem a facilidade de criar, inovar e empreender. Apesar da forte concorrência existente no sector de actividade em que actuamos, estamos convictos que o caminho que traçamos estrategicamente têm-se traduzido em resultados concretos e como tal novos desafios nos são colocados. Brevemente teremos mais novidades para colocar à disposição dos nossos consumidores.

sábado, 29 de janeiro de 2011

Empresárias da tRASHCHIk criam "Peças de decoração únicas e com muito carisma"


Tendo como cenário de fundo o Oceano Atlântico é de uma conversa na varanda de um Hotel no Funchal que nasce um projecto que assenta na arte e paixão pelo antigo - a tRASHCHIk
Sofia de Almeida Santos e Cláudia Correia da Silva, são assistentes de bordo e ambas tem uma forte ligação a arte. Sofia desde cedo se habituou as viagens aos antiquários e aos leilões com os seus pais. Cláudia, artista plástica auto didacta tem participado em exposições Nacionais e internacionais onde apresenta as suas telas.
A tRASHCHIk nasceu da procura de mobiliário "diferente dos outros". Pretende criar objectos únicos e exclusivos, preferindo o estilo eclético à uniformidade. o charme ao standardizado. “Somos apaixonadas desde sempre por Arte. A arte enche-nos de emoções. O que quisemos foi transpor para a decoração essas emoções” afirmam Sofia e Claudia.
A recuperação de peças antigas, a sua transformação e até mudança de funcionalidade está na base do trabalho desenvolvido por esta equipa de criadoras e empresárias.
O processo inicia-se com a observação do objecto e com a identificação do destino a dar ao mesmo. Depois desta fase tanto objecto como o seu projecto de recuperação são enviados para uma equipa de trabalho (4 pessoas) que procedem a transformação final.
“Procuramos criar peças únicas e com muito carisma. Algo que marque presença no lar. Passamos muito tempo nas nossas casas e achamos que como tal devemos transforma-las em algo que seja a expressão de nós próprias” afirma Sofia.
O mundo é a fonte de inspiração para o trabalho desenvolvido. Uma constante atenção à realidade envolvente é potenciada pelas constantes viagens que as criadoras realizam sem nuca esquecer as suas raízes. “Inspiramo-nos no que é Português, na Poesia, nas Emoções. Não tentamos copiar tendências a não ser que estas nos digam algo. No fundo apenas tentamos agradar os nossos olhos. Apenas isso” afirmam as criadoras.
Embora ambas continuem a exercer a sua actividade profissional a ideia sempre foi a criação de um negócio que além de rentabilidade financeira também proporcionasse satisfação pessoal.
Um conceito inovador e estilo ecléctico têm sido o factor diferenciador desta dupla de criativas com grande aceitação pelo mercado. A tRASHCHIk conta já com assinatura em 47 diferentes peças e as criadoras encontram-se actualmente a recuperar 19 peças a pedido de um cliente para decoração de uma casa.
De um entrevista televisiva nasceu o primeiro convite para a decoração de um espaço. “Adorámos concretizar este desafio e a verdade é que desde então tem sido vários os convites para decoração”. Foram já 6 os espaços remodelados.
As novas tecnologias foram o canal inicialmente escolhido para dar a conhecer a tRASHCHIk, atreves de um blogue com o mesmo nome. Rapidamente o “passa a palavra” fez crescer a visibilidade do projecto e rapidamente as empresarias estavam a ser convidadas para participarem em entrevistas televisivas e a serem noticia em revistas da especialidade. “Mas o segredo deve-se sem dúvida ao 'Querer Muito' aliado como tudo na vida a uma boa dose de Sorte” dizem Sofia e Claudia
Neste momento podemos encontrar peças da tRASHCHIk na loja Voa Store, no Chiado, na loja Fusion em Cascais e também online através do blog.
Embora seja ainda um projecto bastante recente podemos dizer que os resultados são de facto significativamente positivos. “Continuamos a achar q o sucesso é a soma de vários ingredientes. Criatividade. Vontade de Vencer. Paixão pelo que se faz. Estratégia e muita... muita sorte.”
Para o futuro desejam apenas continuar a criar “O que a arte tem de bonito é que nunca sabemos o que provoca nas pessoas, a quem mais 'toca' ou se gosta ou não se gosta.”

Entrevista

VE -Começar um projecto de negócio num contexto económico desfavorável. Pensaram em algum momento que poderia não ser a melhor altura para iniciar a tRASHCHIk ?
Muito sinceramente. Não. Além do mais acreditamos que por vezes é no meio de grandes crises que novos mercados têm a sua grande oportunidade. Não há regras fixas em nada. Há sempre Os Que Sucedem e Os Que Não Sucedem em tempos difíceis ou fáceis. Não temos pressa para o sucesso. Vamos caminhando e esta é apenas mais uma fase desse percurso. É assim que vemos as coisas. Somos positivas por natureza.

VE -O facto de manterem as vossas carreiras profissionais, facilitou a vossa decisão?
Obviamente que termos a segurança de um bom emprego nos deu a possibilidade de arrancarmos para este projecto. A nossa saudável situação financeira decorrente de um trabalho seguro, sem dúvida nos alavancam para projectos mais arrojados pois sabemos que deles não dependemos. Se corresse mal nunca ficaríamos 'sem chão'. Sim. Manter a nossa carreira profissional teve até hoje mais pontos positivos do que negativos. O cansaço é o lado negativo. Mas estamos cá para o que der e vier: A paixão é assim mesmo.

VE - Porque no mercado da arte? Porque recuperar/reutilizar peças antigas?
Pela mesma razão de que ainda agora falamos. Paixão. Adoramos a ideia de aproveitar o velho ou antigo. Na vida nada se destrói... Tudo se transforma. Deveria ser assim em tudo.

VE - Dizem que se inspiram em tudo o que é Português, nas emoções e na poesia. É a nossa história e cultura um facilitador do processo criativo?
Todas as histórias e culturas o são quando nelas fomos nascidos e criados. As raízes mais cedo ou mais tarde sempre se manifestam no ser humano. Como portuguesas que somos, claramente que sim. Mas sem grandes ' bairrismos mundiais’. Não esqueçamos que antes de sermos de Portugal. Somos também do mundo. E mais uma vez referimos que somos eclécticas. E aí encontramos um pouco de tudo... é ai sim que 'O Portugal' entra também.

VE - Utilizaram a Internet e as Redes Sociais para dar a conhecer o vosso trabalho e o projecto. Qual a importância deste tipo de ferramentas nos resultados obtidos?
A importância da Internet foi fulcral. Não sabemos como teria sido sem a sua existência. Mas claramente o crescimento não teria sido tão rápido. Foi a Grande aliada sem sombra para dúvidas e assim continua a ser.

VE - Dizem que para um factor fundamental para ser bem sucedido é estar no sítio certo na hora certa. Acreditam que o networking pode fazer a diferença?
Claro que sim.

VE - Que conselhos dariam a quem quer empreender e desenvolver o seu próprio projecto?
Tanta coisa... Mas é só a nossa opinião... vale o que vale. Paixão será o primeiro conselho. Todo o sucesso do mundo a nível monetário se tornará incompleto se não sentirmos um enorme prazer no que fazemos. Pode ser sucesso na mesma, é claro. Mas certamente para nós não nos encheria as medidas. Depois disso o óbvio... uma série de características que são comuns a todos os que querem vencer na vida... vontade, pensamento positivo, perseverança, um método, coragem, não ter medo de errar, ver as fases más como sendo ´menos boas', tentar. Tentar é aquilo que no fundo mais aconselhamos. A vida é isso mesmo. Atrevam-se sempre a Tentar!

"Natureza das Multinacionais não incentiva ao Intra-empreendedorismo"


Num mercado competitivo como o das Tecnologias de Informação, a Pragmasis distingue-se pela dimensão e agilidade da empresa, o que permite responder de imediato às necessidades de cada Cliente, como salientam Alfredo Leite Castro e Jorge Afonso Silva

VE - A Pragmasis é uma empresa que desenvolve software para um sector de mercado bastante especifico - A banca. Pode nos dizer qual é especificamente a vossa área de actuação?
LC – A PragmaSis tem actuado primordialmante no desenho e implementação de soluções informáticas para os canais presenciais da Banca, especificamente as Agências Bancárias. A nossa ferramenta de desenvolvimento de aplicações, AP.NET – Application Platform, permite construir eficazmente soluções à medida de cada instituição financeira. Estas soluções são executáveis tanto num ambiente de canal presencial, como em ambientes não-presenciais, por exemplo, Home-Banking.
JAS - É de salientar que no desenrolar dos projectos para os nossos clientes, actuamos fortemente como consultores durante a fase de desenho e arquitectura da solução final, de modo a transferir a nossa experiência e “know-how”.

VE – Ambos os sócios fundadores da empresa tiveram uma carreira profissional em empresas Multinacionais. Segundo a sua experiência, estas empresas promovem as condições para que se desenvolva o intra-empreendedorismo?
LC – A natureza intrínseca das multinacionais não incentiva a que tal aconteça. As soluções a propor aos clientes são quase sempre as dependentes do catálogo de produtos da empresa, complementadas com os serviços necessários a cada implementação específica. A dimensão do mercado nacional, na perspectiva duma multinacional, não justifica normalmente os custos de “start-up” dum projecto de raíz ou inovador.
JAS – Nos anos recentes, talvez porque a componente Serviços ganhou uma maior enfâse para as multinacionais, temos visto uma maior abertura destas às iniciativas de projectos de âmbito local.

VE – Com carreiras profissionais de sucesso, o que os levou a optar pela criação de um projecto próprio?
LC – Quando se está inserido na estrutura duma grande empresa, a progressão profissional implica muitas das vezes uma desistência da componente técnica, passando a gestão a ser predominante, mesmo absoluta. Este percurso não era atraente. Foi portanto fácil tomar a decisão de partir para um projecto próprio, com objectivos bem definidos, que julgávamos satisfazer uma necessidade do mercado bancário nacional.

VE- Quais foram os principais desafios que encontraram para criarem a vossa própria empresa?
LC – Por vezes, a ignorância pode ser uma vantagem. O nosso desconhecimento dos trâmites inerentes à criação duma empresa, amplificada pelo optimismo de quem inicia uma nova etapa, fizeram-nos ultrapassar as burocracias sem que tenham ficado traumas. Verdade se diga, que tivemos também ajudas de quem já sabia destes assuntos.
JAS – Uma dos desafios que enfrentámos na altura da criação da PragmaSis foi a aceitação pelos potencias clientes da nossa nova identidade. O mercado alvo viu-nos durante anos como empregados duma multinacional, e uma compreensível inibição inicial teve de ser vencida. Outra dificuldade teve a ver com natural urgência em criar de raiz a ferramenta tecnológica necessária para atingirmos os nossos objectivos. Os primeiros meses foram dedicados à implementação do produto AP – Application Platform, numa versão que suportasse OS/2 (então predominante na banca) e simultaneamente Windows.

VE - Quando de fala em desenvolvimento tecnológico fala-se de inovação. De que forma a Pragmasis promove e fomenta a inovação na sua intervenção com os seus clientes?
LC – Embora inovação seja importante, a faceta que exprime melhor a filosofia da PragmaSis é o pragmatismo. Perante os requesitos dum projecto, preferimos soluções já provadas que satisfaçam as necessidades. A adoptção de novas tecnologias, apenas porque são novas e estão na moda, não tem aqui qualquer acolhimento. Pode parece uma postura conservadora, mas é apenas realista. Quantas novas tecnologias vimos surgir, monopolizar as atenções e desaparecer fugazmente, nos últimos anos ? Na PragmaSis estudamos primeiro as tecnologias emergentes, esperamos que as mesmas estabilizem demonstrando a sua validade, e então inovamos as nossas soluções.
JAS – Não somos apologistas de fazer “experimentação” nos projectos dos clientes. O risco para o cliente tem de ser minimizado respeitando-se os objectivo definidos. Qualquer inovação tecnológica ou funcional que introduzimos num projecto é sempre equacionada em termos vantagem versus risco.

VE – Actuando essencialmente no mercado nacional, que tipo de relacionamento tem com os vossos clientes? Pode-se falar em fidelização?
JAS – Fidelização é uma expressão demasiada forte, susceptível de interpretação negativa, abusiva. Penso que conseguimos establecer com os nossos clientes uma relação de confiança e fiabilidade. Quando nos comprometemos num objectivo, é porque sabemos que o podemos cumprir. E os nossos clientes reconhecem isto.

VE- Actuando a Pragmasis num sector altamente competitivo (TI’s),em que os grandes player’s são internacionais, o que diferencia a empresa face a concorrência?
LC – O “commitment” da PragmaSis nos projectos é um dos factores que pensamos ter grande valor para os nossos clientes. Da situação inicial de “projecto do cliente”, passamos rapidamenta à situação de “projecto comum”, nosso. Também a dimensão e agilidade da empresa permite-nos responder de imediato às necessidades e requisitos específicos de cada cliente. A competição, particularmente a internacional, não tem esta flexibilidade.
JAS – O que também nos diferencia, é a nossa postura de sinceridade para com os clientes. Se a PragmaSis não pode responder satisfatoriamente a um requisito do cliente, seja em termos técnicos, seja em termos de custo, preferimos assumir frontalmente esse facto, aconselhando por vezes a própria concorrência. A longo prazo, esta sinceridade acaba sempre por pagar dividendos.

VE – Nos últimos anos assistiu-se a uma revolução profunda no mercado bancário com a chegada da banca electrónica. O vosso negócio foi de alguma forma afectado por esta nova realidade?
LC – Sim, e de um modo positivo. Para além das soluções que vínhamos implementando, tipicamente do tipo Cliente/Servidor, desenvolvemos novas ferramentas e produtos para esta área, que foram adoptados pela maioria dos nossos clientes. Alargámos portanto a abrangência das nossa soluções técnicas.
JAS - Temos hoje um portfolio de ferramentas e soluções que cobrem amplamente muitos dos requisitos de TI na banca, em particular na componente de infra-estruturas aplicacionais distribuídas. Uma percentagem significativa das operações nacionais executada por “banca electrónica”, dependem de componentes e soluções desenvolvidos pela PragmaSis.

VE – A Pragmasis possui uma estrutura bastante reduzida face a outras empresas. Esta flexibilidade é fundamental para actuar num mercado tão reduzido, nesta actividade, como o Português?
LC – Já referimos que a flexibilidade é um factor diferenciador da PragmaSis.É uma característica de que não abdicamos. Mas não penso que seja fundamental para actuar no mercado nacional. O mercado procura alguns tipos de soluções, por exemplo envolvendo mão-de-obra intensiva, a que empresas menos ágeis respondem mais eficazmente.

VE – Normalmente o caminho de um pequeno projecto como o vosso é a sua aquisição por uma grande Multinacional. Já alguma vez sentiram essa pressão por parte da concorrência?
JAS – Curiosamente não temos sentido pressão. Temos encarado qualquer hipótese como merecedora de estudo, mas talvez em resultado do nosso espírito de independência, não nos sentimos pressionados.
LC – Pensamos que uma eventual aquisição da PragmaSis por outra empresa só fará sentido para assegurar o futuro a longo prazo das nossas soluções nos clientes. Não é uma necessidade no horizonte próximo. A dimensão reduzida da PragmaSis, se por vezes é um factor de dúvida no início do relacionamento com um novo cliente, permite-nos no entanto enfrentar as oscilações do mercado com muita solidez.

VE – As novas tecnologias é uma área extremamente atractiva para os jovens. Que conselho daria aos jovens que quisessem empreender nessa área?
LC- Como em todas as áreas de actividade, e não apenas nas novas tecnologias, a palavra chave é Profissionalismo. Aquilo que fazemos, temos de o fazer com o nosso melhor empenhamento e competência, e olhar criticamente para os resultados. Não se mantêm um percurso profissional de sucesso sem um esforço continuado, em que a transpiração largamente excede a inspiração.
Confiabilidade é indispensável para ter aceitação num mundo empresarial. É vital que os clientes possam confiar no resultado do trabalho e na pessoa.
JAS - Ter Abertura de Pensamento que leve à curiosidade na pesquizar novas soluções, à aceitação crítica de inovações, a progredir profissionalmente.
Finalmente, encontrar um nicho de actividade em que possamos exercer Excelência, é um factor decisivo de sucesso.

VE- Que desafios a Pragmasis tem pela frente nos próximos tempos?
LC – Pragmaticamente ? Conquistar o próximo projecto.
JAS – Com sucesso para o Cliente, e portanto para a PragmaSis.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

EMPREENDER...

Um ano começa e as expectativas que se apresentam não são nada animadoras. O que fazer? Devemos sucumbir ao pessimismo? Ou ver esta crise como um desafio?
Certamente todos nós já vivemos períodos de grandes dificuldades e incerteza, quer a nível pessoal ou profissional. Qual foi então a formula usada para ultrapassar esses obstáculos? A situação que agora atravessamos exige de cada um de nós uma elevada dose de empreendedorismo, uma capacidade de inovar e olhar a realidade de modo diferente.
Em Chinês a palavra Crise é composta por dois caracteres que isoladamente significam Perigo e Oportunidade. Identificar e criar novas oportunidades é sem duvida a solução para a conjuntura actual. No entanto vislumbrar uma oportunidade não chega. Para ser bem sucedido exige um bom planeamento, criatividade, trabalho duro e flexibilidade.
Segundo Peter Ducker , o empreendedorismo é como qualquer disciplina, pode ser aprendida. Quais são as características essenciais a um empreendedor? Segundo um artigo da SBA.Gov intitulado “Is Entrepreneurship For You?” As características mais comuns aos empreendedores são: Criatividade, Curiosidade, Orientação para Metas; Capacidade para resolver problemas; Resiliência; Confiança; Independência; Comprometimento; Integridade; Elevada capacidade de Organização.
Na conjuntura actual dizemos que é fundamental que um Empreendedor seja dotado de persistência e coragem. Persistência na procura de elevados níveis de performance, e Coragem para quando necessário fazer um turnaround e seguir um caminho completamente diferente que certamente levará a melhores resultados.
O Projecto “Empreender” fez no passado dia 08 de Janeiro um ano desde a sua primeira edição no Jornal Vida Económica. Já conta com alguns casos publicados que nos permitem chegar a conclusão que apesar das dificuldades é POSSIVEL ser bem sucedido. Todos os empreendedores mencionados tem certamente algo em Comum – NUNCA DESISTIRAM. Esse é o seu compromisso consigo próprios e com os seus sonhos.
Independentemente das circunstâncias em 2011 continuaremos a divulgar casos de pequenas e micro empresas que continuam a dar sentido a afirmação de Peter Drucker “ A melhor forma de prever o futuro é cria-lo”.
Deixe-nos a sua opinião ou indique nos casos de interesse em http://ve-empreender.blogspot.com/ , ou através de empreendedor@vidaeconomica.pt.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

“Há um crescente interesse por parte dos jovens em iniciarem as suas próprias empresas"



A EGP-University of Porto Business School recebe perto de dois mil empresários.


VE - A EGP – UPBS é uma escola que conta com mais de 20 anos de experiência. Pode dizer-se que foi um projecto empreendedor à data da sua constituição?
Tendo na sua génese algumas das empresas e dos empresários mais bem sucedidos de Portugal, a EGP- University of Porto Business School foi um projecto inovador. A tendência recente é para que as novas Escolas de Negócios surjam do mundo empresarial, por melhor reflectirem as necessidades e prioridades das empresas e seus quadros. A EGP-UPBS antecipou essa tendência, com o mérito de lhe adicionar o rigor e conhecimento científico da maior e mais prestigiada Universidade de Portugal, sendo um exemplo de sucesso de uma parceria entre o mundo académico e o mundo empresarial, que depende exclusivamente de receitas próprias, não recebendo um euro de fundos públicos. Podemos, sem qualquer dúvida, afirmar que a EGP-UPBS foi e é um projecto empreendedor.

VE – Como classificaria o balanço destes anos de actividade da EGP-UPBS?
Como muito positivo, não só pelo crescimento da actividade ao longo de 20 anos, mas sobretudo pelo impacto que a Escola tem tido em empresas, organizações e executivos. Actualmente, passam pela EGP-UPBS nos seus diferentes programas de formação perto de 2000 executivos, alunos de 10 nacionalidades diferentes, quadros com as mais diferentes formações. Muitos mudam de carreira, tornam-se empreendedores, transformam as empresas em que trabalham.

VE – Fala-se que Portugal tem baixos índices de empreendedorismo. Que impactos terá a crise que agora atravessamos no desenvolvimento do mesmo?
A crise terá impactos distintos. Por um lado, o aumento do desemprego, a redução da atractividade do desempenho de funções no sector público e o menor crescimento de salários no sector privado fará com que o custo de oportunidade de se iniciar um projecto próprio seja menor. Por outro, o aumento do custo de financiamento e a mais débil dinâmica da procura interna faz com que a rendibilidade dos investimentos seja menor e o risco associado maior. No entanto, noto um crescente interesse por parte dos mais jovens em iniciarem as suas próprias empresas.

VE - Que medidas poderiam ser tomadas para que se verificasse uma mudança nesta situação?
Para além da simplificação administrativa, o importante é dotar os potenciais empreendedores de competências básicas de gestão e criar instrumentos financeiros que facilitem a criação de novas empresas e que estejam adaptados aos seus diferentes estágios de desenvolvimento.

VE – Na sua opinião qual deverá ser o contributo das escolas de negócio para o desenvolvimento de uma maior atitude empreendedora, dentro e fora das empresas?
Um aspecto fundamental é dotar as estruturas superiores e intermédias das empresas de competências de gestão. Mas dentro da próprias empresas deverá existir uma cultura de inovação, de abertura à criatividade e à mudança. O empreendedorismo não terá de ser incentivado apenas no que diz respeito à criação de novas empresas, mas também ao desenvolvimento de novas iniciativas no interior da empresas já existentes, promovendo-se uma cultura de intraempreendedorismo. As escolas de negócios são elemento essencial na promoção desta cultura. Finalmente, são um veículo privilegiado de ligação entre universidade e empresas, entre quem gera novas ideias e produtos e quem os pode transformar em negócios, entre quem tem experiência empresarial e quem tem novas competências no domínio científico e tecnológico. A possibilidade de criar e fomentar toda esta rede é um elemento diferenciador de uma escola de negócios com as características da EGP-UPBS.

VE –A missão da EGP- UPBS é contribuir para melhorar a qualidade de Gestão e promover a mudança nas empresas e organizações. Em que medida uma forte cultura de gestão e uma elevada abertura a mudança podem ser determinantes para o desenvolvimento do empreendedorismo?
São fundamentais. A criação de novas empresas é, em si mesmo, um processo com elevadas taxas de insucesso. Sem princípios de gestão sólidos e sem capacidade de adaptação a um ambiente incerto e em mudança permanente, torna-se ainda mais difícil que o desenvolvimento de novas empresas seja bem sucedido.

VE – Um dos valores defendidos pela EGP-UBS é a parceria e a inovação. Como é vivido este valor no dia a dia da escola?
A inovação e a parceria são vividos no modo como ensinamos, nos programas que concebemos, mas também no modo como interagimos com todos os stakeholders da EGP-UPBS. Temos consciência que só pela inovação podemos surpreender os nossos clientes, propondo-lhes soluções de formação que têm a flexibilidade para se ajustarem às suas necessidades específicas, mas que têm também um elemento diferenciador pelo facto de cada solução concebida e executada é, em si mesmo, um processo de aprendizagem. Como temos a consciência que temos muito a ensinar, mas também algo a aprender, até porque não podemos ter competências de eleição em todas as áreas, procuramos estabelecer parcerias permanentes com quem pode complementar e reforçar os nossos atributos. É nesse sentido que temos vindo a estabelecer parcerias com outra escolas de negócios.

VE – As parcerias estabelecidas potenciam uma forte rede de Networking . Esta vantagem é entendida como valor acrescentado pelos seus clientes?
A EGP-UPBS possui uma rede de antigos alunos e de empresas associadas verdadeiramente notável, pelo que já alcançaram, pela experiência e conhecimentos acumulados, mas também pelo futuro de afirmação nacional e internacional que se perspectiva. Nesse sentido, os nossos clientes percepcionam que, através da EGP-UPBS, têm acesso a uma rede de contactos e oportunidades única, que facilitam o desenvolvimento de iniciativas e projectos próprios. Recordo, por exemplo, que temos o mais antigo programa de mentoring de qualquer escola de negócios em Portugal, que envolve muitos gestores de méritos reconhecidos.

VE – Actualmente verifica-se um forte dinamismo e concorrência no sector das escolas de negócio. Como se posiciona a EGP-UPBS?
A EGP-UPBS oferece valor e é um catalisador da mudança e da melhoria nas organizações e nos seus quadros. Queremos ser avaliados pelos impactos que causamos. Nessa perspectiva, temos o melhor rácio valor/custo. As empresas que valorizam a formação como um factor de reforço de competitividade e de criação de riqueza reconhecem a EGP-UPBS como um parceiro privilegiado. O nosso papel é garantir que a EGP-UPBS é conhecida por cada vez mais empresas e quadros qualificados, para que a concretização da nossa missão tenha uma dimensão ainda mais significativa.

VE – Nota-se que existe uma forte ligação dos alunos à Escola, e da Escola às empresas. Podemos identificar isso como uma vantagem competitiva da EGP?
Sem dúvida. Quem procura formação numa escola de negócios, procura rigor científico, conhecimento avançado, mas também uma partilha e um confronto de experiências. Todos os que frequentam a EGP-UPBS têm acesso a docentes de topo, nacionais e internacionais, académicos e executivos que trazem para sala de aula uma conhecimento adquirido na gestão quotidiana de empresas. Esta simbiose perfeita entre conhecimento científico e saber de experiência vivida é algo que nos distingue.

VE- Em tempo de crise é provável que as empresas cortem nas verbas destinadas à formação dos seus quadros. Que implicações poderá ter esta situação na estratégia de EGP-UPBS?
Em tempos de crise as empresas são mais selectivas nos investimento que efectuam. Porque oferece a melhor relação valor/custo, a EGP-UPBS poderá beneficiar dessa tendência. Para além do mais, empresas cujos responsáveis não reconhecem que a valorização do capital humano é um requisito fundamental para um processo de crescimento sustentado têm um problema grave de liderança.

VE – Face às dificuldades que se vive actualmente no mercado de trabalho em Portugal, uma possível saída para os jovens será o mercado externo. Na sua opinião que consequências terá esta situação no desenvolvimento da economia do pais?
Certamente que Portugal perderá porque esses jovens teriam o potencial para ajudar a transformar a estrutura da economia e criar valor em Portugal, até por terem um espírito de maior abertura à globalização de mercados e a novas culturas. Mas, por outro lado, ao saírem para o mercado externo é porque terão à partida melhores condições para rentabilizarem todas as suas potencialidades. Cristiano Ronaldo nunca teria sido o jogador que é se se tivesse mantido na liga portuguesa, não deixando, por isso, de ser um dos pilares da afirmação de Portugal no mundo. Teremos é de saber tirar o devido proveito do conjunto enorme de oportunidades que se podem abrir por termos quadros portugueses nos centros de decisão de empresas internacionais.

VE- Que novos projectos podemos esperar ver ainda desenvolvidos pela EGP-UPBS?
A EGP-UPBS promoverá sempre a mudança, a inovação, a criatividade, tanto ao nível da transmissão como da produção de conhecimento. Por isso, iremos criar centros de excelência nas áreas em que a Escola tem conhecimento e competências superiores, enfatizando uma estratégia de diferenciação face a outras escolas de negócios. Iremos também prosseguir a nossa estratégia de estabelecimento de parcerias com escolas de negócios internacionais, de que são exemplo dois protocolos recentes assinados com a mais antiga universidade da China e a mais prestigiada escola de negócios da Tailândia.

VE - Que conselhos daria aos empreendedores de Portugal, neste momento?
Há duas áreas que me parecem óbvias. Primeiro, que procurem sempre reforçar as suas competências, porque o conhecimento é cada vez mais perene. Segundo, que pensem sempre numa perspectiva global, porque as oportunidades no mercado externo são incomensuravelmente superiores às que se apresentam no mercado interno. Adicionalmente, terão que ter a consciência de que vivemos num contexto de elevada incerteza e de mudança permanente, o que, sendo um desafio, é também o ensejo para que os mais competentes assumam a sua posição de liderança.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Newsletter Empreender nº 4

Este mês é marcado pela semana global do Empreendedorismo que decorre de 15 a 21 de Novembro.Esta iniciativa acontece simultaneamente em mais de 100 países em todo o mundo e serão desenvolvidas centenas de iniciativas que visam promover a capacidade de inovar e criar. Nunca antes foi tão importante empreender e encontrar novas formas para contornar a situação de crise que vivemos, seja no campo empresarial, familiar e profissional. Mas qual é o principal motivo para empreender?
Recentemente, assisti a uma conferência onde conheci Dona Geralda, um exemplo de vida e de empreendedorismo. Esta brasileira de Minas Gerais passou a sua vida recolhendo papel pelas ruas de Belo Horizonte. “As pessoas confundiam os catadores de papel com o lixo. Achavam que nós estávamos fazendo sujeira e não limpando. Como eu não tinha consciência do que fazia e nem auto-estima, achava que não tinha saída e que minha vida seria sempre do mesmo jeito. E por isso bebia muito”, conta.
A destruição dos barracos dos catadores na década de oitenta foi a crise que levou esta mulher a fazer uma mudança radical na sua vida. Fundadora da Asmare, sigla da Associação dos Catadores de Papel, Papelão e Material Reaproveitável, Dona Geralda comanda um projecto social que atende 257 catadores em Belo Horizonte.
Esta iniciativa foi premiada pela ONU como uma das mais inovadoras iniciativas de inclusão social. O projecto já lhe rendeu diversas homenagens no Brasil e no exterior. A principal foi o Prémio Unesco, em 1999, na categoria Ciência e Meio Ambiente. Dona Geralda foi pessoalmente recebê-lo em Nova Iorque. O que mais a impressionou na cidade foi o que os americanos deitam fora. “Aquilo não é lixo, é luxo! Deu vontade de catar tudo e trazer para cá”, diz.
Quando questionada pela razão de base ao projecto que lidera actualmente, é peremptória, “tinha que catar a fome”, diz-nos esta empreendedora, que se dedica a este trabalho desde os oito anos de idade.
A necessidade como catalisador para uma atitude empreendedora. O exemplo como inspiração e demonstração que é possível ultrapassar os obstáculos e fazer sempre melhor apesar das adversidades.
O nosso compromisso é mostrar que é possível, apesar das dificuldades.
Queremos com os exemplos e artigos publicados, contribuir para o desenvolvimento do espírito empreendedor, mas acima de tudo para fomentar um empreendedorismo sustentável.

Deixe-nos a sua opinião!

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domingo, 7 de novembro de 2010

Empreender - Precisa-se

Nunca foi tão necessário empreender como actualmente! A conjuntura que atravessamos exige fazer diferente, questionar constantemente os processos actuais, a procura persistente dos “blue Ocean” que possam ainda existir.
O Empreendedorismo é isso mesmo, é um olhar sobre o presente projectando o futuro, imaginá-lo e torná-lo real hoje!
O Projecto EMPREENDER pretende dar a conhecer diversos exemplos de Empreendedores e de pequenos projectos, onde apesar das dificuldades acrescidas, existe uma grande vontade de fazer acontecer.
Através destes casos pretende-se mostrar que embora difícil, é possível realizar os sonhos com dedicação aos clientes e elevados níveis de qualidade.
A partilha de boas práticas e de experiências, de temas actuais e importantes para a gestão do dia-a-dia é também alvo das nossas temáticas. Pretendemos, através de uma rede de autores, analistas e especialistas contribuir de alguma forma para o crescimento do Empreendedorismo do nosso Pais.
A rápida mudança que vivemos actualmente, a crescente comoditização dos produtos, a alteração do perfil do consumidor, obrigam a uma maior e mais dinâmica capacidade empreendedora das empresas e dos empresários.

sábado, 23 de outubro de 2010

Caminhar Premiado por boa Gestão


O Caminhar é um sonho de uma família, “Somos pessoas empenhadas na Construção de um Mundo Melhor”, é assim que definem o seu compromisso do dia-a-dia.

Há três anos abria uma nova empresa, num sector de actividade bastante concorrido mas com grande esperança e muita vontade de fazer melhor.
Ana e Isabel Costa, são duas irmãs com formação superior em Educação de Infância, que com o apoio incondicional dos seus pais decidiram criar um projecto que respondesse aos desafios de uma sociedade moderna e cada vez mais exigente.
As suas experiências profissionais e as suas necessidades como mães levaram-nas a desenvolverem um projecto muito especial e com elevado reconhecimento por parte dos seus clientes.
As instalações primam pela qualidade, pela estética mas acima de tudo privilegiam a segurança das cerca de 80 crianças que diariamente animam o dia destas duas empresárias e da sua equipa de colaboradores.
É com um sorriso enorme e com um colo cheio de carinho que pela manhã abrem as portas do Caminhar às suas crianças.”Fazemos questão que exista uma responsável para receber as crianças pela manhã e uma no final do dia para as entregar novamente aos seus pais, para nós é uma enorme responsabilidade uma vez que guardamos os seus maiores tesouros”afirma Ana Costa.
Preparado para receber crianças desde os 4 meses até aos 6 anos de idade, o Caminhar encontra-se actualmente completo, existindo já uma lista de Espera. “Já conhecem o Caminhar em Chaves. No outro dia recebi uns pais que vinham de Chaves e que nos procuraram porque alguém lhes tinha indicado o Caminhar.” Afirma Isabel Costa.
As salas são adaptadas as diferentes fases das crianças e preparadas para estimular a sua imaginação e as capacidades emocionais e sociais. “ Cada criança é única. Se uma criança acha que o sol é vermelho, porque não pode ser?” diz-nos a responsável educativa desta escola.
Embora haja um planeamento das actividades educativas, estas muitas vezes são adaptada às necessidades dos diferentes grupos e de acordo com os seus interesses.
O tema do projecto lúdico/sala resulta do interesse que o grupo vai demonstrando ao longo do desenvolvimento do mesmo e pode abranger variadíssimos aspectos. No ano lectivo passado na sala dos 4-5 anos o tema surgiu depois de as crianças terem falado sobre as férias e demonstrado interesse no Mapa de Portugal. Foram abordadas as diferentes regiões, os seus usos e costumes, o significado da bandeira de Portugal e até mesmo o Hino Nacional.
Mas a preocupação por estarem a participar na formação da próxima geração de cidadãos e conscientes da importância do respeito pela liberdade e valores dos outros, levou à criação de dois clubes que contam com membros muito activos. O Clube da Pegada Verde, destinado às crianças mais velhas e que se dedica a trabalhar as temáticas ambientais. “Foi muito engraçado vê-los a discutir a cimeira de Copenhaga” afirma a Educadora Paula Teixeira, colaboradora do Caminhar.
O Clube dos Pequenos Filósofos aberto à participação das crianças a partir dos 3 anos, tem como principal preocupação levar as crianças a entenderem que tem que respeitar os outros e diferentes opiniões. “É importante que desde cedo percebam que a sua liberdade termina quando começa a do outro” refere Ana Costa.
A importância da participação dos pais no dia-a-dia da escola é um factor diferenciador. Desde a leitura de um livro até a preparação de um bolo, pais e avós podem proporcionar um dia diferente na escola do Caminhar.”As portas estão sempre abertas. É importante que os pais se sintam seguros em deixar cá os seus filhos, podem visitar-nos e participar nas actividades sempre que queiram” afirma a Educadora.
A semana Cultural no final do período lectivo é um importante marco na jovem existência do Caminhar. Para esta semana a equipa educativa prepara actividades especiais que vão desde palestras sobre temas que interessam a todos os pais até ao animado palhaço Pico que faz a delícia dos mais pequenos. Além da exposição dos trabalhos dos pequenos artistas que enchem os pais de orgulho, são também realizadas apresentações de karaté, música, dança criativa, inglês que permitem extravasar a energia.
Mas não é só pelo projecto educativo, ou pelas instalações que o Caminhar se distingue. Foi considerado pelo terceiro ano consecutivo cliente Aplauso pelo Banco Millennium Bcp pela boa gestão e performance alcançada. Apesar de ainda ser um projecto recente estas duas empresárias empreendedoras já estão a pensar num próximo desafio que as permita continuar acompanhar as crianças e as suas famílias.

Cliente satisfeito!
Sou uma mãe que poderia não ter colocado tão cedo o meu filho no jardim-de-infância, pois tinha a possibilidade de o deixar com os avós que tão bem o tinham criado. Ainda assim ao completar os três anos achei que era altura. A escolha da escola passou a ser uma decisão fundamental. Quando me dirigi ao Caminhar fique muito bem impressionada com a qualidade das instalações e acima de tudo com a forma como fomos recebidos. Fizemos de imediato a pré inscrição e fomos embora. Quando chegou a altura de o Vasco ir para a escola, tinha dúvidas quanto a minha decisão. O carinho e atenção com que o meu filho era, e é, recebido dia após dia garantiu que afinal tinha sido uma boa escolha. Hoje quando lhe pergunto sobre como correu o dia na escola, apenas diz “brinquei, brinquei, brinquei” e no entanto vemos o seu desenvolvimento crescente.
O Caminhar é uma segunda casa para o Vasco e quando vou trabalhar sei que ele fica em segurança e feliz por poder brincar com os seus amigos e aprender coisas novas.
Muito obrigada Caminhar continuem com o vosso projecto!