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domingo, 9 de setembro de 2012

Dois concursos concretizam negócios

Iniciativas visam promover o empreendedorismo e destinam-se a todos os que tenham projectos inovadores


Tem o sonho de constituir um negócio inovador mas não tem meios para o concretizar? Submeta a sua ideia aos Concursos InovPortugal ou Realize o Seu Sonho. A Associação Acredita Portugal abriu as pré-inscrições para ambas as iniciativas cujo objectivo é incentivar o empreendedorismo.
O InovPortugal, na sua primeira edição, destina-se a universitários e recém-licenciados com espírito empreendedor, e tem um prémio que ascende aos 100 mil euros em dinheiro e serviços. Os participantes podem já ter um plano de negócios elaborado ou apenas uma ideia, sobretudo de carácter inovador, escalável e com potencial de internacionalização. Já o concurso Realize o Seu Sonho está aberto a qualquer pessoa, independentemente da idade, formação ou natureza do projecto. Todos os projectos são válidos e os prémios ascendem a 50 mil euros em dinheiro e serviços.
A iniciativa, que vai já para a sua terceira edição, é, segundo a Acredita Portugal, "o maior Concurso de Empreendedorismo em Portugal".
As pré-inscrições para ambas as iniciativas decorrem até ao próximo dia 18 de Setembro, data em que arranca a fase de inscrição oficial. As cem melhores ideias ou projectos com maior capacidade de realização serão seleccionadas para uma segunda fase de ambos os concursos.

Empreendedores?

Talvez nunca como nos últimos meses, a palavra ‘empreendedorismo’ tenha sido tão utilizada no nosso país.
 
Não deixa de ser, aliás, um paradoxo que tanto apelo se faça à iniciativa privada num país habituado a viver dos subsídios e à custa do Estado Providência.
Pergunto-me mesmo se sabem os políticos do que falam quando se referem a empreendedorismo. Somos realmente um povo de empreendedores? A resposta é simples: não.
Olhando para o sector da actividade económica que conheço bem, a agricultura, digo que sim: somos empreendedores. Baseio-me em dados da actualidade e na realidade histórica que me diz que as más políticas agrícolas de sucessivos governos apostaram em destruir a agricultura portuguesa e só não a mataram porque os agricultores são empreendedores.
A questão é: somos todos empreendedores? A resposta é não. E é esta selecção que os políticos e os governos não têm sabido, ou podido, ou querido, fazer. O Estado tem um papel importante para defender os empreendedores nacionais. Aqueles que, por ignorância ou má-fé, acham que um bom empreendedor deve estar o mais longe possível do Estado e ser deixado à sua sorte não deveriam nunca ocupar cargos políticos. Porque estão a fazer mal ao país, ao seu empreendedorismo e aos seus empreendedores.
Nos últimos meses, uma média mensal de 200 novos jovens agricultores tem lançado projectos agrícolas inovadores, criadores de emprego e riqueza. Têm avançado com os seus parcos recursos próprios e desesperam pelo apoio financeiro que a banca não lhes concede porque são empresas ‘start up'.
Se querem falar de empreendedorismo, ponham a bolsa de terras em funcionamento e criem uma linha de crédito, tipo habitação, na CGD para a Agricultura.