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segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Universidade de Coimbra lança novo centro de investigação

A Universidade de Coimbra (UC) pretende criar até 2014 um novo centro de investigação multidisciplinar nas áreas da biomedicina e biologia celular e molecular. Com capacidade para albergar até 250 cientistas, o espaço, que ficará localizado no Pólo das Ciências da Saúde, representa um investimento de 15,5 milhões de euros.
O BIOMED III insere-se no plano de desenvolvimento da Faculdade de Medicina no Pólo das Ciências da Saúde e está integrado no BiomedUC, promovendo a interdisciplinaridade nos domínios da biomedicina, biologia celular e molecular aplicada às ciências da saúde. O envelhecimento, neurociências e doenças degenerativas, oncologia e meio ambiente e a imunologia serão alvos de investigação prioritários.

PME Investimentos cria linha de financiamento com Business Angels

A PME Investimentos anunciou o lançamento de uma linha de financiamento no valor de 27 milhões de euros para apoiar a criação e o arranque de pequenas e médias empresas, através dos business angels, disse a Lusa.
Segundo a PME Investimentos, trata-se de "um instrumento financeiro pioneiro em Portugal, que foi concebido para cobrir as necessidades de financiamento das actividades desenvolvidas pelos business angels, num montante global da ordem dos 27 milhões de euros".
Este é um projecto implementado pela PME Investimentos no âmbito do Finova (Fundo de Apoio ao Financiamento à Inovação), financiado por fundos comunitários no quadro do programa Compete que está ligado ao Quadro de Referência Estratégico Nacional, com financiamento do Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional.
Os business angels estão tradicionalmente envolvidos na criação e arranque de pequenas e médias empresas (PME), associando-se ao desenvolvimento deste tipo de projectos, com o objectivo de promoverem a criação de emprego e o desenvolvimento económico.

Inovação com Europass para empresas

A dificuldade em aceder aos fundos disponibilizados pelos Programas Europeus de Ciência e Inovação, dado o seu elevado grau de complexidade, excessiva burocratização e mesmo os altos custos, em tempo e dinheiro, necessários à elaboração das candidaturas, esteve na base do lançamento do projecto Europass para as empresas.
Lançado pela Iberia Advanced Healthcare, empresa que actua na inovação e empreendedorismo na área da saúde, este projecto foi já apresentado ao Parlamento Europeu, no âmbito da Comissão da Indústria, Investigação e da Energia - ITRE do Parlamento Europeu, que pretende simplificar as regras de participação no actual e futuros programas.
Segundo António Lúcio Baptista, presidente da empresa, o grau de dificuldade que hoje se coloca ao acesso àquelas modalidades de financiamento “constitui um entrave à inovação e progresso da Europa”.
Exemplos desta afirmação prendem-se com o facto de “25 a 40% do tempo de trabalho dos investigadores ser passado a tratar de burocracias”; por outro lado, a complexidade dos programas - quadro explica que “a relação entre projectos submetidos e aprovados seja de 1/10 ou 1/15”. Mais ainda, a obrigatoriedade de apresentação de relatórios financeiros leva a problemas administrativos sérios. Ou seja, “mesmo que a candidatura seja aceite, são levadas a cabo várias auditorias que por vezes não aceitam o que foi acordado. Isto porque há uma grande discrepância de critérios entre os vários “offices”, que podem considerar o mais pequeno erro uma fraude”.
A Iberia apresentou assim um “Europass” para empresas. “Este documento seria uma forma de standardizar um CV “online”, no qual constariam os elementos mais importantes relacionados com as empresas, os trabalhos realizados ou projectos em carteira”.
No mesmo CV seria referido o seu interesse em inovar e quais as áreas particulares em que deseja fazê-lo, através de três palavras-chave, ou “tags”, que possam agilizar processos de busca através da Internet e, assim, facilitar o acesso a investigadores, cientistas, investidores ou até empresas parceiras, ao nível comunitário e, paralelamente, eliminar canais distorcidos.

Empresas formam cluster para hotelaria de vocação global

Amorim Revestimentos, Cifial, Lasa, Lusotufo, Molaflex, Porcelanas Costa Verde, Recer e Viriato são as oito empresas que constituem o Hi.global, um cluster vocacionado para a indústria hoteleira, que agrega um conjunto de competências complementares, em áreas que passam pelos pavimentos, revestimentos, louça e cerâmica, têxteis-lar, mobiliário, colchões e acessórios, apresentando-se como um fornecedor premium junto das mais exigentes cadeias de hotéis e restauração internacionais.
Estas organizações reúnem um conjunto de competências em áreas diversas, possibilitando uma oferta integrada, diferenciada e estruturada à medida das necessidades de cada cliente.
O projecto visa unir esforços e sinergias destinadas ao sector hoteleiro e à restauração, a nível internacional. Concebido para oferecer a estes sectores soluções integradas de produtos e serviços em condições competitivas e com significativa incorporação industrial portuguesa, este cluster integra parceiros que, em parceria, apresentam vantagens competitivas que vão desde a redução do investimento e do risco às diversas sinergias criadas - a rede comercial é operada de forma comum, as estratégias de marketing e de I&D incorporam o know-how de cada empresa e o serviço prestado ao cliente final passa a ser uma vantagem competitiva mais tangível.
A selecção criteriosa das melhores matérias-primas, aliada a uma forte aposta no design e a um enorme rigor tecnológico caracterizam o Hi.global, que apresenta assim um equilíbrio entre a forma e a função de todos os seus elementos, desenvolvidos em parceria com os clientes, e produzidos com as mais avançadas tecnologias do mercado.

Estudo «Web Trends – 10 cases made in web 2.0» apresentado no Corte Inglès Gaia


As oportunidades geradas pela evolução das tecnologias de informação, nomeadamente a Internet e as redes sociais, em 10 domínios centrais da economia, constituem o cerne do livro estudo «Web Trends – 10 cases made in web 2.0». Lançado pela agência de comunicação Comunicarte, esta edição será apresentada a 13 de Janeiro no El Corte Inglès de Gaia.
Com prefácio de Francisco Maria Balsemão, presidente da ANJE – Associação Nacional de Jovens Empresários, o documento «Web Trends – 10 cases made in web 2.0», que estará nas bancas em Janeiro, aborda o tema “de uma forma dinâmica, prática e exemplificativa”, caracteriza Ana Sofia Gomes, directora da Comunicarte.
O primeiro capítulo aborda as principais alterações que se têm vindo a apontar com a evolução da web, os passos para o eGovernment, o cibercrime, entre outros assuntos. São apresentados, no capítulo seguinte, dez “case studies” em outras tantas áreas: marketing e publicidade; comunicação social; empresas e negócios; sociedade; educação; política; saúde; cultura; lazer e; religião.
Cada uma das áreas é comentada por um especialista. O último capítulo refere-se à investigação «Comunicação 2.0 no franchising em Portugal», onde é apresentada a análise sobre o impacto da web num modelo de negócio de expansão também assente numa rede.
No caso do turismo, o livro refere que a utilização da Internet tem tornado desnecessário o recurso a intermediários, nomeadamente agências de viagem, na marcação de viagens. Segundo o INE, em cerca de 13,2 milhões de viagens turísticas
(73,2% do total) realizadas em 2009, não existiu qualquer marcação prévia dos serviços associados à deslocação, incluindo transporte ou alojamento. Em 18,1 % dessas deslocações foi marcado pelo menos um serviço directamente no prestador, sem recurso a agência de viagens ou operador turístico.

Marc Barros
marcbarros@vidaeconomica.pt

CeNTI abre portas a pensar no mercado

Empreendedorismo e inovação em nanotecnologias direccionadas para a criação de produtos de elevado valor acrescentado e orientados para o mercado são os grandes objectivos do Centro de Nanotecnologia e Materiais Técnicos, Funcionais e Inteligentes – CeNTI, que foi recentemente inaugurado.
Este instituto, que nasceu em 2008 a partir de um “spin-off” de investigação do CITEVE - Centro Tecnológico das Indústrias Têxtil e de Vestuário, actua privilegiadamente numa base de consórcio e em sinergia com diferentes instituições.
Na sua inauguração foram apresentados dez destes projectos, desenvolvidos em associação com igual número de empresas nacionais e dos quais resultaram já oito patentes em processo de registo nacional, europeu e mundial.
Estes abrangem áreas da saúde e bem-estar, desporto e lazer, protecção individual, segurança, automóvel, aeronáutica, construção e arquitectura, energias renováveis e fotovoltaica, entre outras. Destacam-se um interruptor de iluminação embebido num ladrilho e um têxtil com repelência à sujidade, entre inúmeros outros projectos que prometem revolucionar a relação das empresas com a investigação.
Segundo António Veira, director do centro, os principais obstáculos que se colocam ao sistema científico nacional quanto à integração em sistemas de apoio e financiamento comunitários devem-se ao facto de “Portugal não ter uma estrutura organizada instalada mais perto dos locais de decisão” em “articulação com as entidades nacionais e os organismos oficiais da Comissão Europeia”.
Assim, “em muitos casos, as instituições portuguesas, por não terem massa crítica suficiente e dimensão”, ou “não prestarem a devida atenção às oportunidades reais existentes”, não têm tido “a força suficiente para entrarem em consórcios europeus”, perdendo oportunidades de desenvolvimento e financiamento.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Alto Desempenho e/ou Felicidade?


1. A Febre de Domingo à Noite

O êxito consiste em alcançar o que se deseja;
a felicidade, em desejar o que se alcança.

Anónimo


O leitor transborda de energia quando vai trabalhar? Sente que, caso ganhasse o euromilhões, continuaria a querer fazer o mesmo trabalho que faz agora? O seu trabalho é uma parte da sua identidade e uma forma de se sentir realizado e feliz? Se respondeu que sim a todas estas perguntas, faça o favor de não continuar a ler este artigo. Continue como está e contagie os outros, as organizações precisam de si.

Se, por outro lado, o leitor é daqueles que à sexta-feira suspira de alívio por terminar a semana, reza para que o fim-de-semana dure uma eternidade e ao domingo à noite sente aquela “febre” acompanhada de uma pequena angústia que murmura baixinho “amanhã lá tenho que ir outra vez”, este artigo pode ser-lhe útil.

Há anos que estudo a excelência humana, ou como podemos nos superar adquirindo competências que nos ajudem a atingir os objectivos pessoais e profissionais. Esta é uma abordagem fascinante e com bastante aceitação nas organizações. Tenho reparado, no entanto, que as mesmas organizações que buscam o alto desempenho e a excelência nem sempre promovem, e aceitam, nesse caminho a felicidade dos seus colaboradores.

Parece-me que um conjunto de crenças limitadoras leva as lideranças, e a nós próprios, a associar o trabalho bem feito à pressão e ao desconforto, como se o prazer fosse incompatível com a disciplina e com o foco nas tarefas. Instituiu-se que a própria ideia de felicidade pode ser um assunto “lamechas”, que abre caminho ao facilitismo e ao bem-estar egoísta e individual em detrimento dos interesses das equipas e das organizações. Para piorar as coisas, nesta época de crise, as lideranças preocupam-se mais em reparar os danos do que em desenvolver os seus colaboradores e estes vivem mais preocupados em manter o seu posto de trabalho do que em explorar o seu potencial criativo.

Diz Arménio Rego, num artigo ao Diário de Noticias: ‘Trabalhar numa organização pode ser um travão às potencialidades individuais ou, pelo contrário, um espaço de superação individual e de desenvolvimento de forças virtuosas como a sabedoria, a coragem, o amor, a justiça e a temperança. Trabalhar em organizações deflagradoras de experiências negativas não gera apenas custos laborais. Também degrada a vida pessoal e a familiar. Uma pessoa que vive situações laborais intensas de medo ou stress pode não ser capaz de afastar da sua vida privada esses sentimentos. Essas situações podem decorrer da inadaptação à função, da decepção com a carreira, de uma liderança tóxica ou, globalmente, de um clima organizacional cínico e "doentio". Os efeitos podem ser a fadiga, a preocupação, a irritabilidade e diversas doenças cardiovasculares ou endocrinológicas.

Distintamente, uma vida de trabalho saudável promove uma vida integralmente sã. Nas organizações em que vigora a gestão positiva há equilíbrio entre as necessidades económicas e as práticas de um colectivo social saudável: encorajamento aos mais fracos, recompensa da lealdade, estímulo da competição justa, gestão apropriada do stress. A gestão positiva origina, pois, organizações com dinâmicas sociais saudáveis.

(...) Incentivar virtudes, respeitar a dignidade humana, prezar a excelência, velar pela busca de felicidade, promover a cooperação e a confiança – eis aspectos que poderão gerar consequências desejáveis nos indivíduos e nas organizações. Os efeitos da positividade organizacional podem mesmo transcorrer para o exterior – gerando impacto positivo na satisfação dos clientes e na comunidade circundante’.

É pois possível – e desejável – associar a excelência e o alto desempenho à felicidade. Recentes estudos na universidade da Califórnia demonstram que as pessoas mais felizes tendem a ganhar mais dinheiro, a serem melhor sucedidas e a terem uma vida mais longa e saudável. Se observar as pessoas que se destacam em qualquer área de actividade vai reparar que todas elas têm um profundo prazer nas suas actividades. Numa entrevista recente ao jornal Público, o cineasta Manoel de Oliveira, que com cem anos de idade continua a realizar um filme por ano e a estar presente nos principais festivais de cinema europeus, dizia: ‘Eu descanso quando estou a filmar, as chatices acontecem é fora do trabalho’. Torna-se fácil descobrir um dos segredos da sua vitalidade...


2. A felicidade não é apenas um alívio

No passado cometi o maior pecado que um homem pode cometer:
não fui feliz.
Jorge Luís Borges

Venho de uma família humilde e de baixas habilitações. Os meus pais vieram da “aldeia” para a cidade “sem nada” e, com trabalho árduo e muita poupança, passaram de empregados a proprietários de um restaurante. Fui criado num ambiente em que a dedicação ao trabalho, a orientação para o cliente e o esforço eram a norma, uma vez que o estabelecimento estava aberto das 9h às 2h todos os dias do ano, excepto na noite de Natal, e era, por isso, também a nossa casa. Nesse ambiente, o bem-estar era o menos importante, o mais importante era ter clientes suficientes para pagar aos fornecedores, aos empregados e para a educação dos filhos. Lembro-me que os momentos de maior “felicidade” eram vividos ao domingo à noite quando já tinha passado o fim-de-semana, habitualmente com grande afluência de clientes, e se aproximava a segunda-feira, um dia de trabalho tranquilo, e um dia de escola para mim. A felicidade era o alívio.... Até chegar o fim-de-semana seguinte.

Hoje os filhos já saíram de casa e a situação económica dos meus pais é estável e confortável, no entanto quando os visito, no seu mais recente restaurante, continua o mesmo clima de esforço, sacrifício e trabalho árduo no ar. Quando dedicamos uma vida inteira a um padrão de crenças e a determinados hábitos torna-se muito difícil mudar...

Mas é possível! Não com receitas fáceis, gurus milagrosos ou powerpoints musicados a circular na internet, mas com vontade de mudar a perspectiva e treino de novos hábitos. Isto faz-me pensar em Albert Camus quando afirmou que ‘o heroísmo de pouco vale, a felicidade é mais difícil’. Ela é seguramente mais do que um alívio no fim de um trabalho bem feito. Pode ser encontrada no próprio acto de trabalhar.

Em 1999 foi apresentado o Manifesto da Psicologia Positiva por Martin Seligman, caracterizando este ramo da psicologia como o ‘estudo científico do funcionamento humano óptimo’. Tem como objectivo descobrir e promover os factores que permitem aos indivíduos e às organizações prosperarem, em vez de colocar a ênfase na doença e no distúrbio, como sempre fez a psicologia tradicional. Ou seja, o estudo da felicidade, para melhorar a qualidade das nossas vidas, passou a ter uma base científica e deixou de estar restrito aos livros de literatura pop e de auto-ajuda. Não é função da psicologia positiva dizer às pessoas que devem ser mais optimistas, ou mais espirituais, ou mais simpáticas e bem-humoradas; a sua função é antes descrever as consequências destas características. Aquilo que cada um fizer com essa informação depende dos seus próprios valores e objectivos.

O curso mais popular da melhor universidade do mundo, Harvard, é sobre psicologia positiva. Todos os anos mais de 1000 alunos, entre eles centenas de executivos, inscrevem-se no curso do jovem filósofo e psicólogo Tal Ben-Shahar para aprenderem técnicas que lhes permitam encontrar congruência, prazer e significado na corrida diária e sentirem-se, além de bem sucedidos, felizes. Afinal de contas, parece que a felicidade ajuda ao sucesso e o sucesso não é outra coisa, senão a felicidade....

A boa notícia é que podemos efectivamente, se quisermos, tornarmo-nos mais felizes. Apesar de apenas cada um poder saber o que é a felicidade para si próprio, já que ela será sempre subjectiva, tem se verificado como padrão que as pessoas mais felizes experimentam no seu dia-a-dia mais emoções positivas do que negativas. A busca da felicidade no trabalho poderá ser, afinal, esta conquista.

Segundo Sonja Lyubomirsky, professora na universidade da Califórnia e autora do livro The How of Happiness, a felicidade depende em 50% da herança genética; em 10% das circunstâncias da vida, tais como o local onde vivemos, quanto dinheiro ganhamos ou o aspecto físico; e em 40% da nossa atitude, o que pensamos e o que fazemos. Ora, é operando nestes 40% que poderemos aumentar os nossos índices de satisfação e bem-estar para maximizar a nossa relação com o trabalho e com os outros. Vem assim comprovar-se a proposta de Aristóteles quando afirmou que a felicidade depende de nós e a de Abraham Lincoln ao intuir que ‘a maior parte das pessoas é tão feliz quanto decide ser’.

3. Entre o Prazer e o Significado

A penincilina cura os homens, mas é o vinho que os torna felizes.
Alexander Fleming

Uma coisa ínfima com significado vale mais do que
algo sublime em que o significado esteja ausente.
Carl Yung

Encontrar na nossa vida actividades que nos tragam simultaneamente benefícios presentes (prazer) e benefícios futuros (significado) parece ser uma das chaves para uma maior felicidade.

Uma actividade profissional em que apenas nos preocupamos com o conforto momentâneo não é compatível com a nossa necessidade humana de encontrarmos um sentido para as nossas acções e a médio prazo deixa de trazer bem-estar porque o próprio prazer se banaliza e esgota; por outro lado um trabalho em que estamos constantemente a correr em busca de um benefício futuro, mas em que não vivemos com agrado e satisfação o momento presente, além de ser esgotante, é contraditório, pois não é boa ideia perder os valores que se quer atingir no percurso para os conquistar.

Depois existem aqueles que já desistiram, que não encontram no seu trabalho nem agrado nem propósito e se deixam andar acomodados num mal-estar, infelizmente contagiante para os outros, de declínio, de ressentimento, de incapacidade de avançar, de paralisia e bloqueio. Chamaremos a estes niilistas.

Diz Tal Bem-Shahar no seu livro Happier: ‘Defino felicidade como a experiência global do prazer e do significado. Uma pessoa feliz goza de emoções positivas e ao mesmo tempo vê a sua vida como tendo um objectivo em vista. A ilusão do competidor desenfreado é pensar que atingir um destino futuro lhe irá trazer uma felicidade duradoura. A ilusão do hedonista é a de que apenas a viagem é importante. O niilista, tendo desistido tanto do destino como da viagem, está desiludido com a vida. O competidor desenfreado transforma-se num escravo do futuro; o hedonista num escravo do momento; o niilista num escravo do passado.

Atingir a felicidade duradoura exige que apreciemos a viagem na nossa rota em direcção a um destino que consideramos importante. A felicidade não é chegarmos ao cume da montanha nem escalarmos sem rumo. A felicidade é a experiência de escalar até ao cume’.

No seu livro O Medo, o filósofo José António Marina partilha connosco esta abordagem: ‘Em muitas ocasiões afirmei que a nossa procura da felicidade é frequentemente dilacerante, porque somos movidos por dois desejos contraditórios: o bem-estar e a superação.
Precisamos de estar confortáveis e precisamos de criar alguma coisa de que nos sintamos orgulhosos, e pelo qual nos sintamos reconhecidos. Uma actividade que dê um sentido à nossa existência, por muito ilusório que esse sentido seja. Temos, pois, que harmonizar desejos contraditórios. Precisamos de construir a casa e descansar nela. Precisamos estar refugiados no porto e a navegar. Agora posso completar a descrição. Aspiramos a fugir da angústia e a enfrentá-la´.

Desafio o leitor a reflectir sobre a sua relação com o seu trabalho: está no quadrante dos niilistas, isto é, não encontra nem prazer, nem orgulho nas suas actividades profissionais actuais? Ou situa-se na zona dos hedonistas, o seu trabalho dá-lhe prazer e mantêm-no no seu espaço de conforto, mas não encontra nele nada que lhe traga benefícios futuros e de que se orgulhe? Ou será que faz parte do grupo dos corredores, está é preocupado em ganhar o máximo de dinheiro, ser promovido ou ir para um emprego melhor, “mudar o mundo”, superar-se constantemente e ser o melhor nem que tenha que passar os dias num tormento de desmotivação a fazer algo de que na verdade não gosta?

Se aquilo que pretende efectivamente é a excelência e destacar-se na sua actividade, pense, antes de mais, no que poderá fazer para ter o prazer na viagem e o cume bem visível. Para isso, convém que o seu trabalho esteja na resposta a três perguntas: o que é que me traz significado? O que é que eu gosto de fazer? No que é que eu sou competente?


4. Obrigado!

Os infelizes são ingratos; isso faz parte da infelicidade deles.
Victor Hugo

Na minha experiência de formador em empresas, tive a oportunidade de conhecer pessoas felizes e infelizes nas suas actividades. Parece-me que as infelizes nunca estão satisfeitas com o seu trabalho, nem com a chefias, nem com as condições, nem com a remuneração, nem com os colegas, nem com trânsito, nem com o almoço, nem com o horário, nem com a chuva, nem com o sol, nem com... e esta lista nunca mais acaba. O mais provável é que quando forem para outra organização fiquem infelizes com outras coisas. Não adianta mudar para outro lado se levamos dentro de nós a causa do problema.

É obvio que a insatisfação e a inquietação são fundamentais para evoluirmos e criarmos, mas nesse processo é fundamental estarmos gratos por aquilo que a cada momento nos é proporcionado pela realidade. Parece que precisamos constantemente de perder as coisas para as valorizarmos e depois dizermos algo como “afinal, naquela altura é que eu era feliz”...

Os estudos levados a cabo por Robert Emmons, da Universidade da Califórnia, demonstram que as pessoas que tinham um hábito de manter um momento diário ou semanal para expressarem, a si ou aos outros, gratidão pelos acontecimentos e coisas positivas que iam acontecendo tendiam a tornar-se mais empáticos, mais optimistas e mais persistentes na realização dos seus objectivos, pois valorizavam adequadamente os pequenos êxitos de que são feitos os grandes sucessos, em vez de concentrarem a sua energia nos obstáculos e em queixas.

Tudo isto implica a aceitação do Eu e a coragem de se afirmar em vez de estar constantemente a querer ser uma outra coisa. Para Gandhi, felicidade era o momento em que aquilo que pensamos, aquilo que dizemos e aquilo que somos está em harmonia. Dificilmente se poderá ser feliz se estiver sempre a representar um papel, seja na vida, ou até mesmo no cinema. Uma das lições mais valiosas na minha formação de actor de cinema foi a percepção de que quanto mais verdadeiro era em frente à câmara mais impacto tinha no espectador. Quanto mais representava, querendo forçar um resultado que não era sentido e sem harmonia com o que sou, menos impacto e mais cansaço obtinha.

Aceitarmo-nos e estarmos gratos pelo que somos ajuda à felicidade e à excelência como nos descreve Arthur Miller num belíssimo texto: ‘Às vezes penso que se fosse uma magnólia quereria ser uma laranjeira, se fosse uma águia quereria ser um cavalo ou se fosse quadro quereria ser uma fotografia. Esqueço-me que devo ser o que sou. Pela evidência de ser o único que tenho e posso ser e, porque, só quando gostar disso é que posso tocar a felicidade e passá-la.
Fico a pensar que perdemos demasiado tempo em querer dar laranjas, em galopar velozmente ou em ser o flash de um instante supremo. Quando, na verdade, o que podemos fazer é chegar a dar muitas e belas flores, voar cada vez melhor ou tornarmo-nos até num Rembrandt.
Cada qual deve acabar por pegar na própria vida nos braços e beijá-la'.

Fazer a defesa da felicidade no alto desempenho não tem a ver com trabalhar menos ou com um decréscimo de dedicação, como julgam alguns, mas antes trabalhar mais, ou mais intensamente, nas actividade certas – aquelas que são a fonte de benefícios presentes e futuros.

No fundo, ser feliz é, como diz Tal Ben Sahar, aceitar que a vida é isto – o dia-a-dia, o banal, os pormenores do mosaico. Temos uma vida feliz quando retiramos prazer e significado da companhia daqueles de quem gostamos, da aprendizagem de algo novo, ou do empenho que dedicamos a um projecto no emprego. Afinal, parece que é só isto...

Empreendedorismo e Crise - Duas palavras que andam juntas.


Quanto maior é a crise mais os empreendedores reforçam o seu lado irreverente de pessoas que arriscam quando poucos o fazem e que confiam quando todos abrem o livro do pessimismo. Isso acontece quando implementam e dão corpo aos seus projectos, avançando para o terreno no meio do olhar duvidoso dos outros que olham para eles como se fossem uns loucos. Este, é de facto, o termo mais correcto. É preciso uma boa dose de loucura para se ser um empreendedor.

Tenho ao lado da minha secretaria um único post it que tem uma expressão do líder da Apple – Steve Jobs. A frase é – ‘Mantém-te faminto. Mantém-te tolo.’ Olho para ela em dois momentos muito importantes. Quando a nossa equipa tem sucesso, para que o conforto não se instale ao mesmo tempo que nos relembra que os nossos sonhos fazem-nos sentir ‘fome’ por mais. Quando estamos a viver momentos mais apertados, para que os nossos pensamentos negativos possam ser substituídos pela força de acreditar e continuar a arriscar. Este post it acompanha-nos há cerca de três anos, e com ele vivemos o pior e o melhor. A vida é assim. Os negócios são assim. Os mercados, cada vez mais, funcionam assim. Para sobrevivermos neles temos de ter um pouco destas duas características. Fome por mais e tolice suficiente para fazermos coisas que outros não pensaram fazer antes, ou não têm a audácia para as construir. Simplesmente porque entenderam, ou alguém os convenceu disso, que era tolice a mais. A experiência dos maiores empreendedores que conhecemos na história dos negócios contam-nos sempre a mesma situação inicial quando nasce uma ideia ou projecto na sua cabeça e estes são partilhados – os outros dizem para não avançares? Então é altura de o fazeres!

Num ano em que todos falam de crise vai acontecer aquilo que acontece em todas as crises. Uns vão fazer dela uma oportunidade, outros vão sentir-se ameaçados, lamentarão o mundo que eles próprios ajudaram a criar ou ficarão enclausurados nas trincheiras á espera que o ‘fogo’ passe. Como dizia um consultor que ouvi numa conferência em 2008 – ‘Na crise uns compram lenços para chorar. Outros vendem-nos.’ Após esta expressão acrescentou – cabe a cada um de vocês decidir em que lado é que quer ficar...

Quando fiz formação com os militares que protegem a Selva da Amazónia, uma das primeiras coisas que nos ensinaram foi uma cantiga militar a qual tinha uma mensagem forte – “Na selva não sobrevivem os mais fortes. Sobrevivem aqueles mais sóbrios, habilidosos e resistentes.” Num mundo em que vivemos, em que a economia aproxima-se do comportamento do clima, ou seja, as tempestades (crises) são cada vez mais frequentes e devastadoras, esta expressão reforça a importância de todos nós termos um perfil de empreendedor – sabermos claramente para onde vamos, habilidade para sairmos do padrão convencional e inovarmos, capacidade para resistirmos e ultrapassarmos as situações adversas.

No empreendedorismo a palavra crise é frequentemente substituída pela vontade de criar coisas novas. Parece que o empreendedor tem um jeito especial para retirar a letra ‘R’, transformando a palavra ‘crise’ na palavra ‘crie’. Esta é a palavra de ordem para quem quer ser empreendedor em tempos como este.

Parece mais fácil falado ou escrito, mas na realidade não é tão difícil quanto isso. Por exemplo, recentemente, foi feito um estudo que analisou o perfil de líderes empreendedores de empresas conhecidas como a Google, Apple ou a Virgin, entre outros. Os resultados desta análise levou os investigadores a concluir que o seu comportamento se assemelhava ao de uma criança – curiosidade pelo desconhecido e pelo novo; vontade de experimentar; atenção a tudo o que é diferente; gosto e prazer de jogar ou brincar com coisas sérias; capacidade para colocar perguntas difíceis e que colocam em causa a existência das coisas e o status quo; imaginação sem limites ao ponto de fazerem ligações entre coisas ou temas muito distintos e vontade de experimentar. Todas estas características permitem-nos perceber a velocidade enorme de aprendizagem e adaptação que estas pessoas manifestam.

Mas nem tudo são boas notícias. Se é verdade que estas qualidades levam os empreendedores a superarem-se em momentos complicados e a fazerem coisas que a maioria das pessoas duvida ser possível realizar, estas características levadas ao extremo acabam por ditar o final do caminho a alguns empreendedores. A determinação que os move, por vezes, é tão grande que se torna cega, incapaz de ler e interpretar os sinais da realidade. O seu optimismo e confiança transformam os sinais ameaçadores em mais uma motivação ou oportunidade para resolverem um desafio. Um empreendedor gosta de jogar, e por isso entra facilmente numa espécie de competição que o apaixona, mas que é ao mesmo tempo viciante – quanto mais tem sucesso mais quer repetir a sensação de lá chegar e a adrenalina do caminho que é preciso percorrer. Alguns não conseguem regular este impulso e ‘vão a jogo’ mesmo quando deveriam ficar de fora. O ego fala mais alto que o próprio desejo de tornar o sonho numa realidade. Este acto individualista acaba por trazer maus resultados para as suas ideias, projectos e equipas que transformam palavras e promessas em coisas tangíveis.

É caso para dizer que o empreendedorismo e a crise são duas palavras que andam juntas, seja numa perspectiva positiva ou negativa.